Número de barragens de alto risco cresce 26%, diz agência

Segundo agência, o Brasil chegou a 909 barragens com alto risco de acidente e dano potencial alto

11 nov 2019 - 19h31

BRASÍLIA - O número de barragens classificadas como aquelas de alto risco de acidente e dano potencial alto, ou seja, o tipo mais crítico dessas estruturas, chegou a 909 barragens em todo o País, segundo relatório elaborado anualmente pela Agência Nacional de Águas (ANA). O levantamento revela aumento de 26% desse tipo de barragem, em relação ao número apurado até 2017. Os dados, aos quais o Estado teve acesso, fazem parte do Relatório de Segurança de Barragens 2018, que será divulgado nesta semana pela agência.

O aumento no número de barragens com Dano Potencial Associado (DPA) alto e Categoria de Risco (CRI) deve-se, em boa parte, ao detalhamento do banco de dados que coleta informações sobre essas estruturas.

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Quando analisadas as barragens que se enquadram em apenas uma das duas categorias de alto impacto, o balanço mostra que há 6.577 barragens classificadas com Dano Potencial Alto, acréscimo de 20% em relação às 5.459 identificadas no ano anterior. Já em relação à Categoria de Risco (CRI) alta, foram classificadas 5.086 barragens, um acréscimo de 21%.

O levantamento coordenado pela agência se baseou em informações solicitadas de 44 instituições ligadas a fiscalizações de barragens no País. Segundo a ANA, há hoje 32 órgãos efetivamente fiscalizadores de segurança de barragens. Em seus cadastros constam 17.604 barragens. Dessas, 4.830 submetem-se às exigências previstas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

Os dados refletem o cenário das barragens apurado entre janeiro e dezembro de 2018. Como a tragédia com a barragem da Vale ocorreu em janeiro de 2019, o balanço não captou reflexos do desastre nas fiscalizações do setor. A tendência, portanto, é que o número de barragens com situação de risco alto e dano potencial de mesmo impacto aumente neste ano.

Agência diz que Vale omitiu informações sobre Brumadinho

Na semana passada, a Agência Nacional de Mineração (ANM), que fiscaliza apenas barragens de rejeito, concluiu seu relatório técnico sobre o histórico da barragem do complexo Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

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Segundo a análise, algumas informações fornecidas pela empresa Vale à ANM não condizem com as que constam nos documentos internos da mineradora. "Se a ANM tivesse sido informada corretamente, poderia ter tomado medidas cautelares e cobrado ações emergenciais da empresa, o que poderia evitar o desastre", conclui a análise.

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