Mulher que ficou mais de 3h agarrada em poste durante enchetes em MG: ‘Não deixa eu morrer afogada’

Edna de Almeida Silva perdeu a casa e seu namorado está desaparecido

26 fev 2026 - 13h15
Edna se agarrou a um poste para se salvar em enxurrada em Ubá (MG)
Edna se agarrou a um poste para se salvar em enxurrada em Ubá (MG)
Foto: Reprodução/TV Globo

A imagem de Edna de Almeida Silva agarrada a um poste durante as enchentes que ocorreram em Minas Gerais circulou por todo o país. A mulher é moradora de Ubá e foi arrastada pela enxurrada que atingiu a cidade durante a noite da última segunda-feira, 23. No Encontro com Patrícia Poeta, ela contou, ao lado do filho Bruno, que viu uma de suas cachorras ser levada pela água e que seu namorado, Luciano, está desaparecido. 

Segundo ela, a família foi acordada por volta da 1h com a ligação de um vizinho avisando que a rua estava começando a ficar inundada. Ela acordou o companheiro para avisar que teriam de tirar os carros da garagem, mas não deu tempo. Quando o casal foi até o quintal, a água já estava na altura dos pneus. 

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"Em pouco tempo, a água já estava na minha canela. Foi subindo muito rápido. Na rua já tinha mais de um metro de água. A água subindo numa rapidez que não tem explicação. A gente não tinha condições nem de sair de dentro, porque a porta e o portão travaram por causa da força da água. Foi absurdamente rápido", relembra. 

Eles até ligaram para os bombeiros e a Defesa Civil para pedir ajuda, pois estavam ilhados dentro de casa, com as duas cachorrinhas. Quando a enchente atingiu a altura do peito de Edna, ela foi derrubada. 

"Eu fiquei submersa. Não sei nadar, não sei fazer nada debaixo d'água. A única coisa que eu me lembrei, foi de tampar o meu nariz com o dedo e pedir a Deus: 'não deixa eu morrer afogada. Me salva, salva o meu filho, salva meu marido, porque eu não sei nem onde é que eu estou'", diz chorando. 

Ela conta que foi levada pela correnteza até que bateu no poste, onde conseguiu se agarrar e escalar até chegar na altura de estar com parte do corpo para fora da água. “Comecei a gritar por socorro, e aí o pessoal que estava olhando pelas sacadas me viu. Eu só pedia 'gente, socorro, chama o bombeiro, eu não quero ser carregada pela água'. Eu olhei para frente e vi meu filho agarrado numa grade". 

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A mulher relembra que, embora estivesse agarrada no poste, a enxurrada continuava a subir, até que ela ficou muito próxima dos fios. Pensou até que se não morresse afogada, morreria eletrocutada. Em meio aos momentos de terror, soube que seu namorado havia sido levado pela correnteza. 

Edna e Bruno conseguiram se salvar da enxurrada que atingiu Ubá (MG)
Foto: Reprodução/TV Globo

Enquanto esperava por ajuda, Edna viu muitos de seus móveis sendo levados, além de uma de duas cachorrinhas. “Eu vi a minha cachorrinha passando na água", diz muito emocionada. 

O que serviu para que ela ficasse mais segura no poste foi a corda que um homem jogou à ela. O item foi amarrado em seus braços e costas, e possibilitou que ela não fosse carregada pela enchente. Enquanto isso, seu filho conseguiu cortar o alambrado onde estava com o auxílio de um alicate que jogaram para ele. Com isso, pulou para dentro de uma casa, saindo da correnteza. 

Ela foi resgatada por volta das 5h20, quando o homem que lhe jogou a corda pulou da janela de sua casa e a salvou. Logo depois, uma vizinha possibilitou que ele tomasse banho e comesse algo. Foi então que ela viu que sua casa já não existia mais. 

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"Eu fui no quarto dela, olhei pela janela e vi que a minha casa tinha desabado. Não sobrou nada. Aí eu fiquei mais desesperada. Foi tudo embora", finalizou emocionada. 

Chuvas em MG

O número de ‌mortos pelas fortes chuvas que atingiram a região da Zona da Mata Mineira chegou a 48, enquanto as equipes de resgate ainda buscam pessoas desaparecidas, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, na quarta-feira, 25. De acordo com a corporação, 42 pessoas ⁠morreram em Juiz de Fora e seis em Ubá.

As chuvas foram ‌classificadas por autoridades locais como "históricas" e, nas palavras delas, "devastaram" e "arrasaram" ⁠a região, afetando também fortemente a cidade de Matias Barbosa, embora sem registrar vítimas neste município.

A previsão é de mais chuvas na região nas próximas horas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta de "grande perigo" devido ao ⁠acumulado de chuvas para uma região que inclui a Zona da Mata Mineira com validade até as 23h59 de 27 de fevereiro.

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Ainda de acordo com os Bombeiros, o temporal deixou 3 mil desabrigados em Juiz de Fora e 400 desalojados. Já em Ubá, há 26 desabrigados e 178 desalojados. As autoridades consideram desabrigados aqueles que tiveram que deixar suas casas e não têm para onde ir, dependendo geralmente de abrigos públicos, enquanto os desalojados são aqueles que também tiveram de deixar suas casas por causa do desastre, mas têm para onde ir, como outro imóvel ou casa de parentes, por exemplo. (*Com informações da Reuters)

Fonte: Portal Terra
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