Um grupo de manifestantes ateou fogo em pneus e bloqueou a Avenida Salim Farah Maluf, na Vila Ema, zona leste de São Paulo, na tarde desta quarta-feira, 25, em protesto contra um processo de reintegração de posse em andamento no local.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Militar foi acionada por volta das 16h para atender à ocorrência e, até as 17h40, ainda atuava na região, com apoio do Corpo de Bombeiros.
Cerca de 20 pessoas participaram do protesto que, de acordo com a PM, já foi dispersado. Pelas imagens, o fogo colocado em pneus gerou uma densa coluna de fumaça. Não há informações sobre confrontos com policiais nem sobre detidos em razão da manifestação.
Ainda conforme a Polícia Militar, o bloqueio atingiu a Avenida Salim Farah Maluf no cruzamento com a Avenida Vila Ema. O trânsito chegou a ficar parado na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) confirmou a "ocupação total" da via no sentido Marginal por volta das 16h50, mas informou, em nota, que às 17h10 a pista já estava liberada. "Manifestantes estão pela calçada", diz o comunicado.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que os manifestantes seriam "moradores de um imóvel localizado em frente ao ponto do protesto" e que "há um processo de reintegração de posse em andamento" no endereço.
"Parte dos cerca de 20 participantes que iniciaram a manifestação já deixou o local. A Polícia Militar mantém diálogo com os presentes, visando ao restabelecimento da ordem pública", informou a corporação.
Histórico
Segundo a administração municipal, o imóvel é de propriedade particular e fica na altura do número 516 da Avenida Vila Ema. A edificação já era alvo de uma ação judicial proposta pelo município desde 2017.
Na época, a Justiça determinou a desocupação, que foi cumprida em janeiro de 2020. O prédio, no entanto, voltou a ser ocupado.
Algumas famílias chegaram a deixar o imóvel mediante o recebimento de auxílio-moradia, mas parte dos ocupantes permaneceram no local.
Em setembro de 2025, foi formalizado um novo acordo para desocupação voluntária. A prefeitura diz que propôs um acordo ao ofertar atendimento habitacional, mas os ocupantes não teriam aceitado.
O local chegou a ser atingido por um incêndio em janeiro deste ano, e que a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) fez o cadastro das famílias que viviam na ocupação.
"Ao todo, 140 famílias foram incluídas no cadastro habitacional da Cohab e receberam auxílio emergencial de R$ 1 mil, conforme previsto para situações de vulnerabilidade", disse a Prefeitura.