A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Pizzo para desarticular um esquema milionário de extorsão digital contra grandes empresários gaúchos. A ação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc), resultou no cumprimento de sete ordens judiciais nas cidades de Gravataí e Viamão. O principal suspeito foi preso após investigações apontarem que o grupo criminoso exigia pagamentos em criptoativos para não divulgar informações confidenciais das vítimas.
O esquema consistia na criação de grupos compulsórios no aplicativo WhatsApp, onde os criminosos incluíam os empresários e seus familiares. Sob a ameaça de expor dados internos de empresas de setores como construção civil, redes de supermercados e administração de imóveis, os golpistas exigiam uma "taxa de anonimato" estipulada em 10 Bitcoins — montante equivalente a aproximadamente R$ 4 milhões por vítima. Estima-se que o prejuízo total causado pela organização alcance a marca de R$ 10 milhões.
Para ocultar a autoria dos crimes e dificultar o rastreamento policial, o acusado operava um esquema telemático estruturado. A equipe da Dicesp descobriu que ele utilizava um único aparelho celular abastecido com múltiplos chips (SIM Cards) registrados de forma deliberada em nome de terceiros. As buscas efetuadas na região metropolitana de Porto Alegre apreenderam documentos digitais e físicos, celulares e dispositivos eletrônicos que serviam de base para a formatação das chantagens cibernéticas.
As investigações apontaram que o mentor da fraude era um engenheiro vinculado a um grande conglomerado de supermercados, que usava seu acesso profissional para estruturar os dossiês. Segundo o Diretor do Dercc, Delegado Eibert Moreira Neto, a infiltração de fornecedores internos agrava a vulnerabilidade das corporações, mas a polícia segue firme contra crimes cibernéticos que abalam a economia gaúcha. O caso continua em sigilo judicial para identificar outros possíveis envolvidos no núcleo criminoso.
Polícia Civil.