Ex-vereadora do Rio de Janeiro, Luciana Novaes morreu aos 42 anos nesta segunda-feira, 27, após uma “intercorrência súbita e grave, compatível, segundo informações médicas, com rompimento de aneurisma cerebral”. De acordo com sua assessoria, o quadro provocou uma “piora crítica de seu quadro neurológico”.
A ex-parlamentar foi submetida ao protocolo de morte cerebral, procedimento que envolve uma série de exames para confirmar a interrupção completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco encefálico.
Um dia antes de morrer, Luciana estava ativa nas redes sociais e postou uma foto no domingo, 26, parabenizando Benedita da Silva pelo seu aniversário. No dia 20 de abril, ela fez uma postagem refletindo sobre como a vida é feita de recomeços.
"Cada semana que começa é uma nova chance de fazer melhor, de cuidar mais de quem a gente ama e de não desistir daquilo que faz nosso coração bater mais forte. Eu desejo, de verdade, que a sua semana seja leve, mas também cheia de atitude. Que a gente tenha força pra correr atrás dos nossos objetivos, mas sem esquecer de espalhar carinho, respeito e gentileza pelo caminho. Nem tudo vai ser perfeito, e tá tudo bem. O importante é seguir com fé, com coragem e com amor no coração", escreveu.
Em reconhecimento à sua trajetória, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), decretou luto oficial de três dias na cidade.
A história de Luciana Novaes foi marcada por superação. Em 2003, ela ficou tetraplégica após ser atingida por uma bala perdida no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio. Mesmo diante das limitações impostas pelo episódio, formou-se em Serviço Social e concluiu uma pós-graduação em Gestão Governamental.
Ingressou na vida pública em 2016, quando foi eleita vereadora pela primeira vez. Ao longo de três mandatos, tornou-se a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal do Rio. Durante sua atuação, presidiu a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e se destacou na defesa da inclusão.
Luciana foi autora de quase 200 leis voltadas à acessibilidade urbana, à garantia de vagas prioritárias para estudantes com deficiência em escolas próximas de suas residências e à criação de processos de avaliação adequados às necessidades de pessoas com deficiência intelectual.
Em nota oficial, a Câmara Municipal do Rio lamentou a morte da ex-vereadora, destacando sua trajetória como exemplo de força e dedicação. O texto a define como “uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo” e “símbolo de perseverança e superação”.
A homenagem prossegue ressaltando o legado deixado por Luciana: “Sua história, marcada por fé, resiliência e propósito, seguirá inspirando gerações. Luciana mostrou, na prática, que limites não definem destinos quando há vontade de transformar o mundo ao redor”.