A Justiça do Rio Grande do Sul não autorizou que o missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, preso por suspeita das agressões que causaram a morte do filho, Oliver Golden Grayson, de 3 anos, acompanhasse o velório. A cerimônia está marcada para a tarde desta quarta-feira, 22.
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Ao Terra, o Tribunal de Justiça confirmou a negativa, mas afirmou que mais informações não podem ser passadas devido ao sigilo do processo. A assessoria também informou que a mãe do menino, Mayanna Angelina Rodgers, recebeu autorização judicial para ir ao velório.
Ela está presa preventivamente por suspeita de omissão. Ela deverá ser escoltada da Penitenciária Feminina de Guaíba para o Cemitério Municipal de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, onde a despedida deve ocorrer das 14h às 16h.
A Prefeitura de Viamão ficará responsável pelos custos do funeral, após decisão da Justiça que autorizou a entrega do corpo ao município. Desde a confirmação da morte, no último dia 8, o corpo de Oliver permanecia no Instituto Médico Legal (IML) porque não havia familiares ou representantes legais para providenciar o sepultamento.
Na última segunda-feira, 20, o Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que a Justiça autorizou a liberação do corpo ao município para que o funeral pudesse ser realizado. De acordo com a RBS TV, o reconhecimento foi feito por meio de uma perícia papiloscópica, com a digital já cadastrada no sistema do Instituto de Perícias.
A reportagem entrou em contato com a defesa de D'Andre Jermaine Grayson, mas não teve retorno até o momento. Os advogados de Mayanna Angelina Rodgers não foram localizados até o momento.
Relembre o caso
As agressões aconteceram no último dia 5, por volta de 6h30 da manhã. Segundo registros da ocorrência, o menino foi brutalmente agredido pelo pai no interior da casa da família em Viamão. Ele chegou a ser hospitalizado na cidade e encaminhado ao HPS de Porto Alegre devido à gravidade dos ferimentos, onde morreu no dia 8. O pai do menino foi preso em flagrante no hospital.
Ao Terra, a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), afirmou que as agressões sofridas por Oliver chegaram a "movimentar o coração de lugar e achatar o crânio".
Foi instaurado um inquérito policial pelo crime de tentativa de homicídio duplamente qualificado, inicialmente tendo o pai como suspeito. Até que, segundo a delegada, o crime de tortura também passou a ser investigado — considerando que foram encontradas lesões nos quatro irmãos da criança. Assim, além do pai, a mãe também passou a ser alvo das investigações.
Outros filhos do casal, de 1, 5, 7 e 9 anos, foram encaminhados para perícia psíquica e física, e seguem protegidos por medidas de proteção, abrigados e acompanhados pelo Conselho Tutelar.
Outros registros de agressões
O suspeito é norte-americano e a mulher é japonesa. Eles vieram dos Estados Unidos para o Brasil há cerca de nove anos e já moraram em diversos estados. "A família tem um grande histórico de violência, existindo registros policiais em SC e SP, bem como atendimentos dos Conselhos Tutelares. Todos indicando violências como ferramentas de punição", explica a delegada.
Em 2024, por exemplo, há registros em Águas de Lindóia, no interior paulista, de que um dos filhos do casal teria sido agredido com um cinto pela mãe, ficando com diversas marcas pelo corpo. O argumento usado pelos pais é de que estariam disciplinando os filhos de forma rígida, segundo a delegada.
Por conta desse histórico, a mãe passou a ser investigada por conveniência aos atos de tortura e ao homicídio praticado contra o filho de três anos. Ela foi presa preventivamente na tarde do dia 9.
"O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo - do quarto ao lado - e que sequer tivesse tentado conter o pai", explica Luana.
A família está em Viamão há cerca de 7 meses e não tem outros familiares no Brasil. "Por ser uma família pobre, contavam com doações e ajuda de diversas pessoas da comunidade religiosa. Ele se diz missionário da Igreja Evangélica, porém nada foi confirmado até então, não havendo notícias sobre qual seria a igreja a que estivesse congregado", complementa a polícia.
Apesar das violências e omissões em torno da figura da mãe, a Polícia do Rio Grande do Sul não descarta a possibilidade de a mulher também ser uma vítima da situação. "Há fortes indícios de violência doméstica contra a mulher, praticada pelo companheiro (pai das crianças) - e esses fatos serão devidamente apurados", complementou a delegada.