Ano começa sob alerta no RS: feminicídios marcam as primeiras semanas de 2026

Os casos ocorreram em diferentes municípios, mas têm em comum o mesmo padrão: os crimes foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros

21 jan 2026 - 09h01

O ano de 2026 iniciou com um cenário alarmante de violência contra a mulher no Rio Grande do Sul. Em pouco mais de duas semanas, ao menos três feminicídios foram registrados no Estado, revelando a permanência de um problema estrutural que segue vitimando mulheres e deixando famílias destruídas. Os casos ocorreram em diferentes municípios, mas têm em comum o mesmo padrão: os crimes foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros.

Foto: Reprodução/Rede Social / Porto Alegre 24 horas

Na Capital, a gravidade da situação ficou ainda mais evidente com o registro de dois feminicídios em menos de 24 horas, ambos na zona Sul de Porto Alegre.

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Na noite de domingo, Josiane Natel Alves, de 32 anos, foi morta com nove golpes de faca dentro de casa, na Rua das Rosas, no bairro Campo Novo. O crime foi presenciado pela filha da vítima, de apenas 14 anos. O autor, um homem de 29 anos, ex-companheiro de Josiane, foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, o relacionamento havia durado cerca de um mês e estava encerrado há uma semana, período em que o suspeito não aceitava o fim da relação.

Josiane deixa três filhos. Para sustentar a família, produzia bolos para venda, conforme relataram vizinhos. Ela não possuía medida protetiva de urgência contra o agressor.

Menos de um dia depois, na tarde de segunda-feira, Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos, foi assassinada a facadas enquanto aguardava ônibus em uma parada da avenida Juca Batista, no bairro Chapéu do Sol. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, de 50 anos, que foi preso pela Polícia Civil. Os dois disputavam na Justiça a guarda da filha de cinco anos.

Paula deixa três filhas, de 5, 12 e 15 anos. Estava desempregada e garantia o sustento da família por meio do Benefício de Prestação Continuada (LOAS). Segundo o advogado que a representava, ela buscava uma oportunidade de trabalho para conquistar independência financeira. Assim como Josiane, Paula não tinha medida protetiva vigente no momento do crime.

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Além dos casos registrados em Porto Alegre, outro feminicídio foi contabilizado neste início de ano no interior do Estado. Em Canguçu, uma mulher foi encontrada morta após dias de desaparecimento. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, e o principal suspeito é o companheiro da vítima. O crime reforça que a violência de gênero não se limita aos grandes centros e atinge municípios de diferentes regiões do RS.

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