Na eleição mais disputada desde 1989, Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno presidencial em empate técnico, após uma diferença de apenas 2,2 milhões de votos no primeiro turno. Com foco na redução do recorde de 33 milhões de abstenções, o pleito reflete forte polarização, marcada por atos de rua e intensa batalha nas redes. Enquanto Flávio liderou nos maiores colégios eleitorais e em quatro regiões no primeiro turno, Lula largou na frente na apuração de locais de votação no exterior.
Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, se enfrentam na eleição mais disputada da história da democracia brasileira. No primeiro turno, a diferença entre entre eles foi de apenas 2,225 milhões de votos, de um total de 158,7 milhões de pessoas aptas a votar. Foi a menor distância registrada entre dois finalistas ao segundo turno desde 1989.
Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, um número recorde, o que leva esse eleitorado a ser prioritário para os candidatos neste domingo, ao lado dos indecisos.
As últimas pesquisas de intenções de voto divulgadas no sábado (24) confirmam o empate técnico entre os dois, com pequena vantagem numérica, de 1% a 2%, para Flávio. A pesquisa Futura chega a antecipar uma diferença de apenas 0,2% entre os dois.
Impacto de mobilizações em massa
Analistas ressaltam que as mobilizações em massa dos eleitores nos últimos dias, nas ruas como pelas redes digitais, podem ter um impacto ainda não detectado pelos institutos de pesquisa. Milhões de brasileiros foram às ruas de 15 capitais brasileiras no sábado, véspera da eleição, um fato raro que reflete a polarização política do pleito.
No primeiro turno, Flávio levou vantagem em quatro das cinco regiões do Brasil, à exceção do Nordeste, onde Lula venceu. O candidato do PL também ficou na frente nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que juntos concentram 40% do total de votos.
Os dois candidatos vão às urnas cedo nesta manhã: Flávio no Rio de Janeiro e Lula em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo. Os resultados começarão a serão conhecidos às 17h, após o fechamento das urnas.
Lula amplia vantagem no exterior com queda de abstenção e mobilização
Lula, reverenciado pelos programas de assistência social que tiraram milhões de pessoas da pobreza, protagonizou um retorno dramático ao poder nas eleições de 2022, após ser preso por corrupção por mais de 18 meses em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.
As acusações, anuladas por questões processuais, continuaram a assombrá-lo. Em seu terceiro mandato, ele supervisionou uma queda da inflação e do desemprego e tirou milhões de pessoas da fome, mas os eleitores reclamam do alto custo de vida e estão cansados da criminalidade.
Após o revés no primeiro turno, Lula reformulou sua estratégia nas redes sociais, recorrendo a vídeos gravados em estilo selfie e até comprando seu primeiro celular. Também contou com uma mobilização digital sem precedentes de sua militância, que criou um canal no WhatsApp, o "Exército do Lula", que conta com mais de 10,8 milhões de seguidores.
Uma intensa batalha nas redes sociais envolveu a Meta, empresa controladora do WhatsApp, do Facebook e do Instagram, que a campanha de Lula acusou de favorecer seu adversário por meio de "manipulação algorítmica". A Meta negou a acusação, mas reconheceu que alguns anúncios da campanha de Lula haviam sido desativados por engano devido a erros técnicos.
A votação dos brasileiros no exterior abriu neste domingo (25) com forte movimento em Paris, onde longas filas se formaram desde o início da manhã. A capital francesa reúne um eleitorado recorde de 27,8 mil brasileiros, cerca de 32% maior do que em 2022. Quase um milhão de eleitores estão aptos a votar fora do Brasil nesta eleição.
Os primeiros resultados parciais começaram a surgir na Oceania, onde a participação parece ter aumentado em relação ao primeiro turno. Na Nova Zelândia, Lula venceu com 80,54% dos votos válidos, contra 19,46% para Flávio Bolsonaro. Na Austrália, o candidato do PT obteve 64% dos votos.
Na China, Lula recebeu 375 votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 134, sendo que a vantagem do atual presidente foi proporcional à registrada no 1° turno. O número de votos recebidos pelos dois candidatos, no entanto, aumentou neste 2° turno.
Com AFP