Na casa-mãe de sua congregação em Paris, freiras brasileiras acolhem compatriotas que visitam a Capela da Medalha Milagrosa em busca de oração e agradecimento, destacando a fé e a emoção desses fiéis. O local vive a expectativa da visita do papa Leão XIV à França, evento que mobiliza a comunidade e deve reunir cerca de 1 milhão de pessoas no país. Apesar de o pontífice não visitar a capela, as religiosas veem a viagem papal como uma oportunidade para renovar a fé católica na nação.
Luiza Ramos, da RFI em Paris
A congregação, fundada na França por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, está presente em 97 países. A casa-mãe atualmente reúne cerca de 150 religiosas de mais de 20 nacionalidades, além de abrigar o centro internacional de formação e a administração da instituição.
Natural do Paraná e há quase oito anos na França, a irmã Isel explica que muitas religiosas passam por Paris para conhecer a história da congregação e aprofundar sua formação espiritual. "A casa-mãe é o centro internacional e também é um lugar onde as irmãs vêm primeiramente para receber uma formação de 15 dias a um mês. Como a congregação surgiu aqui na França, elas têm a oportunidade de ir às cidades onde nasceram e viveram os fundadores", detalha.
"Esta casa é o reflexo dessa internacionalidade da congregação. As irmãs vêm para poder servir nos diversos serviços de que nós temos necessidade, tanto no nível da acolhida das irmãs nessa parte de formação quanto para acolher os peregrinos que vêm à capela".
Enquanto algumas freiras permanecem apenas algumas semanas em Paris, outras são enviadas para missões mais longas, como é o caso das religiosas brasileiras que atuam no acolhimento dos peregrinos na Capela da Medalha Milagrosa.
Brasileiros chegam em busca de oração e agradecimento
Entre elas está a irmã Roselena, mineira que vive na França há dois anos e meio. Ela conta que os visitantes brasileiros costumam chegar à capela já cientes da presença de freiras conterrâneas e as procuram diretamente para se aconselhar e pedir informações. "Eles sempre procuram: 'Tem alguma brasileira? Ah, fiquei sabendo, já perguntei se tinha uma brasileira. É você?'", conta ela.
"Eles vêm mesmo para agradecer a Deus e para pedir também alguma coisa. Porque nós precisamos sempre de alguma coisa, sobretudo da ajuda do alto. E eles vêm com muita fé, bem entusiasmados. Eles dizem que saem daqui diferentes. Muitos chegam a chorar, ficam emocionados", relata Roselena.
A religiosa observa que excursões vindas do Brasil chegam diariamente ao local. Além de participar de missas em português ou mesmo em francês, os peregrinos brasileiros são os que costumam comprar mais medalhas e objetos religiosos na lojinha da capela para familiares e amigos.
A irmã Eriane, paraense da Ilha do Marajó, há três anos em Paris, percebe uma diferença marcante entre os brasileiros e muitos visitantes estrangeiros. "O peregrino brasileiro é barulhento", brinca. "Mas quando entra na capela, se recolhe".
"No momento de oração, a gente percebe essa piedade muito grande. Enquanto os outros entram por curiosidade para olhar o que tem na capela e perguntam, o brasileiro não; ele vem com essa vontade de rezar e de encontrar Deus e encontra de fato ali na capela", afirma Eriane.
Segundo ela, muitos peregrinos chegam esperando visitar um grande santuário dedicado a Nossa Senhora das Graças, mas se surpreendem com a simplicidade da Capela da Medalha Milagrosa, conhecida mundialmente pelas aparições marianas a Santa Catarina Labouré, em 1830.
Visita do papa Leão XIV à França
A proximidade da visita do papa Leão XIV a Paris alimenta ainda mais a mobilização da comunidade religiosa. Os eventos, que passarão também pelas cidades de Lourdes e Metz, devem reunir cerca de 1 milhão de pessoas no total, segundo os organizadores.
Para a irmã Conceição, de Fortaleza, no Ceará, "a vinda do papa renova a fé e desperta outras pessoas para descobrir Deus". "É uma alegria que nos emociona", diz, referindo-se à missa aberta ao público na praça da Concórdia e na Avenida Champs-Élysées em 26 de setembro, que deve receber pelo menos 500 mil fiéis.
A presença do pontífice representa uma oportunidade de renovação espiritual para a Igreja na França, mas a programação de dois dias na capital não contempla passagem pela Capela da Medalha Milagrosa.
"A gente lamenta que ele não venha aqui, mas a gente sente que todas as irmãs de todas as línguas, de todas as nações aqui reunidas, vibram por esse momento de se encontrar com o papa".
A freira recorda que, apesar de ser um país frequentemente associado à laicidade, as inscrições para os eventos abertos ao público e gratuitos esgotaram rapidamente, enquanto estima-se que outras 150 mil pessoas devam acompanhar o percurso do papamóvel em Paris. Em um contexto de declínio da prática religiosa na França, ela vê a visita como uma oportunidade de renovação para a Igreja Católica no país.
"A quantidade de pessoas que se inscreveu é imensa. Mesmo em um país em que a fé católica já diminuiu bastante. Eu acho que a vinda do papa aqui na França serve para renovar a religião católica aqui", conclui irmã Conceição.