Entrevista a portas fechadas acontece a membros de comitê parlamentar. Bilionário manteve contato com abusador, mas nega envolvimento em irregularidades.O bilionário Bill Gates deve depor em junho diante de um comitê do Congresso americano que investiga o falecido agressor sexual condenado Jeffrey Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell, informou a imprensa americana nesta terça-feira (07/04).
O cofundador da Microsoft está entre os nomes de destaque que aparecem em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, que revelam amizades próximas, transações financeiras ilícitas e fotos privadas com Epstein.
Gates deve participar de uma "entrevista transcrita" em um modelo de depoimento a portas fechadas, como aconteceu com o ex-presidente Bill Clinton e Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e senadora. A oitiva está prevista para junho.
Gates "recebe com satisfação a oportunidade de comparecer ao Comitê", disse um porta-voz do bilionário em um e-mail enviado à AFP.
"Embora ele nunca tenha testemunhado ou participado de qualquer conduta ilegal de Epstein, está ansioso para responder a todas as perguntas do comitê para apoiar esse trabalho importante."
Gates admitiu "erro" ao se associar a Epstein
Gates admitiu ter cometido um "grande erro" ao se associar a Epstein, dizendo a funcionários de sua fundação filantrópica, em fevereiro, que teve casos com duas mulheres russas, mas negando qualquer envolvimento nos crimes do financista.
Em um rascunho de e-mail incluído nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, Epstein alegava que Gates havia mantido casos extraconjugais, escrevendo que sua relação com o bilionário ia desde "ajudar Bill a conseguir remédios para lidar com as consequências de sexo com garotas russas até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas".
Gates, de 70 anos, admitiu ter tido dois casos.
"Tive dois casos: um com uma jogadora russa de bridge que me conheceu em eventos do jogo, e outro com uma física nuclear russa que conheci por meio de atividades profissionais", disse em fevereiro, aos funcionários de sua entidade.
Mas ele negou qualquer envolvimento com vítimas de Epstein, que morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
"Não fiz nada ilícito. Não vi nada ilícito", continuou.
O magnata da tecnologia afirmou que sua relação com Epstein começou em 2011, três anos depois de o financista ter se declarado culpado por solicitar prostituição de uma menor.
Gates disse que sabia de uma restrição de viagem imposta a Epstein, mas não verificou seus antecedentes.
Ele afirmou que sua então esposa, Melinda, expressou preocupações sobre Epstein em 2013, mas que ele manteve a relação por pelo menos mais um ano.
gq (AFP, DW)