O Rio Grande do Sul vive um aumento nos registros de ataques de abelhas, com ocorrências graves nas últimas semanas. Em Alegria, no Noroeste do Estado, um homem morreu após ser atacado no dia 11 de janeiro. Já em Novo Machado, três pessoas ficaram feridas no dia seguinte. Outros episódios semelhantes foram registrados em diferentes regiões, acendendo o alerta para a população.
No início do mês, em Jóia, uma motorista perdeu o controle do carro após o veículo ser invadido por um enxame e colidiu contra um poste. Na Região Metropolitana, em Viamão, uma mulher precisou de atendimento médico ao tentar proteger sua cachorra durante um ataque.
Por que os ataques aumentam nesta época?
Especialistas explicam que o comportamento das abelhas varia conforme a estação do ano. Entre a primavera e o verão, ocorre a chamada enxameação — quando novas colônias são formadas.
"É o período em que elas saem em busca de novos locais para se instalar, o que aumenta o risco de encontros com pessoas", explica Charles Fernando dos Santos, coordenador do Laboratório de Abelhas e Polinização da UFRGS.
Já no outono e inverno, os ataques costumam ocorrer quando colmeias fixas se sentem ameaçadas. Vibrações intensas, barulho excessivo e o uso de equipamentos como roçadeiras ou inseticidas podem provocar reações defensivas.
Sinais de alerta
Antes de um ataque, as abelhas costumam emitir avisos claros, como voar de forma rápida e insistente próximo ao rosto. Ignorar esse comportamento pode resultar em ferroadas — e uma única picada pode atrair todo o enxame.
O que fazer durante um ataque
A principal orientação é afastar-se imediatamente do local.
"Correr em zigue-zague ajuda a confundir as abelhas e dificulta a perseguição", orienta o biólogo Fabiano Soares.
Também é fundamental:
Proteger rosto e pescoço com roupas ou tecidos
Buscar abrigo fechado, como carros ou residências
Evitar reagir batendo nos insetos
Não se jogar em rios ou lagos, pois isso pode aumentar o risco de afogamento
Manter a calma ajuda a reduzir a circulação do veneno no organismo.
Após as picadas
Em caso de ferroada:
Retire o ferrão raspando a pele com um objeto rígido, sem apertar
Procure atendimento médico, especialmente se houver muitas picadas
Fique atento a sinais de reação alérgica, como dificuldade para respirar, inchaço no rosto ou tontura
Segundo especialistas, menos de 1% da população pode desenvolver reações graves, como choque anafilático. Um soro antiapílico está em desenvolvimento e poderá ampliar as opções de tratamento no futuro.
Nunca tente remover colmeias sozinho
A retirada de enxames deve ser feita apenas por profissionais. A orientação é acionar:
Corpo de Bombeiros - 193
Defesa Civil
Apicultores especializados
A tentativa de remoção sem equipamentos adequados coloca vidas em risco.