Orbán reconhece derrota e deixa governo húngaro após 16 anos

12 abr 2026 - 16h32
(atualizado às 16h41)

Líder ultranacionalista admitiu vitória "clara" do líder da oposição, Péter Magyar. Eleições para a Assembleia tiveram participação recorde.O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições deste domingo (12/04), após as primeiras apurações mostrarem uma ampla vantagem do líder oposicionista Péter Magyar, que apontava um domínio do seu Partido pelo Respeito e pela Liberdade (Tisza) na Assembleia Nacional, com mais de dois terços das cadeiras.

Líder da oposição, Peter Magyar (à direita), pode alcançar mais de dois terços do Parlamento na Hungria
Líder da oposição, Peter Magyar (à direita), pode alcançar mais de dois terços do Parlamento na Hungria
Foto: DW / Deutsche Welle

O reconhecimento da vitória de Magyar por Orbán ocorreu em um discurso do líder ultranacionalista, que está há 16 anos há frente do país.

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"A responsabilidade e a oportunidade de governar não foi dada a nós", declarou Orbán. "Serviremos ao país e à nação húngara na oposição", complementou, acrescentando que o resultado foi "doloroso, mas claro".

Poucos minutos antes, Magyar havia afirmado, pelas redes sociais, que havia sido parabenizado pela vitória por Orbán. "O primeiro-ministro Viktor Orbán acaba de me telefonar para nos felicitar pela vitória", escreveu o líder da oposição.

Com 60,24% das urnas apuradas, às 21h33 do horário local (16h33 de Brasília), o Tisza tinha alcançado 136 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional, o que representa mais que dois terços do Legislativo húngaro (133). O Fidez, de Orbán, somava 56, e o Mi Hazánk (Nossa Pátria, de ultradireita), sete.

As urnas fecharam às 19h com uma adesão eleitoral recorde, superior a 77,8%, segundo as previsões oficiais.

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Houve longas filas em várias seções eleitorais, e o aumento da participação foi mais pronunciado em cidades de médio porte e entre os eleitores mais jovens, mais propensos a apoiar o conservador e pró-europeu Peter Magyar, segundo os analistas, relatou a agência France-Presse (AFP).

A eleição é considerada a mais importante para a Hungria desde a transição democrática de 1989/90.

s eleitores húngaros votaram para escolher os 199 lugares da Assembleia Nacional, num sistema eleitoral misto, com 106 deputados eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais. Nessas contas também entram os votos das minorias, particularmente alemães e roma.

A eleição foi seguida de perto em países da Europa e de outros continentes, o que demonstra o papel desproporcional que Orbán desempenha na política populista de ultradireita em todo o mundo.

Repressão contra minorias e acusação de corrupção

Durante os últimos anos, Orbán frustrou repetidamente os esforços da União Europeia (UE) para apoiar a Ucrânia na guerra contra a invasão russa, ao mesmo tempo que cultivou laços estreitos com o Presidente Vladimir Putin.

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Durante os seus 16 anos como primeiro-ministro, o ultranacionalista lançou duras repressões contra os direitos das minorias e a liberdade de imprensa, subverteu muitas das instituições húngaras e foi acusado de desviar grandes somas de dinheiro para os cofres da sua elite empresarial aliada, alegação que nega.

Já o partido Magyar ascendeu rapidamente e tornou-se o adversário mais sério de Orbán. O líder de 45 anos do partido de centro-direita Tisza fez campanha com base em questões que afetam os eleitores comuns, incluindo os setores da saúde pública e dos transportes da Hungria, que estão em declínio, e o que descreve como corrupção desenfreada no governo.

fcl (AFP, Lusa, ots)

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