Apenas 34% das falas de políticos são reais, revela estudo

Relatório da Agência Lupa mostra como líderes de diferentes espectros distorcem fatos e usam má informação em campanhas

27 jul 2026 - 17h12

As declarações feitas por políticos foram analisadas pela Agência Lupa.  Apenas um terço das declarações feitas por políticos nos últimos cinco ciclos eleitorais é totalmente verdadeira. As demais apresentavam algum tipo de exagero, omissão ou falsidade. A Agência revelou o dado no estudo "Anatomia da Desinformação Eleitoral - Como a Mentira e os Boatos Políticos Evoluíram no Brasil entre 2016 e 2026".

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Foto: presidente Jair Bolsonaro (PL) tem a maior proporção de falas falsas checadas pela Lupa - Ton Molina/Getty Images / Perfil Brasil

Diante desse cenário, a pesquisa mostra uma transformação na estratégia de desinformação eleitoral no Brasil. Em vez de usar mentiras diretas, as campanhas preferem manipular conteúdos reais.

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"São cada vez mais frequentes omissões intencionais, exageros, recortes seletivos, comparações inadequadas e disputas de contexto. Em vez de inventar fatos, o discurso político passou a manipular informações verdadeiras ou a costurá-las de forma distorcida para produzir interpretações enganosas."

Portanto, o fenômeno atinge diferentes ideologias e partidos. A agência analisou 3.080 declarações de 237 figuras públicas de 37 legendas desde 2016. Os pesquisadores acompanharam falas em redes sociais, debates na TV, propagandas e sites.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera a proporção de declarações falsas checadas, com 43,2% de inconsistências entre os políticos com ao menos 30 frases analisadas. Do mesmo modo, o ex-governador Wilson Witzel registra 38,9%, enquanto o ex-prefeito Marcelo Crivella soma 36,2%.

Em contrapartida, a ex-deputada Manuela d'Ávila (PSOL) aparece em sexto lugar, com 29%. Logo em seguida, o presidente Lula (PT) figura em sétimo, com 26% de dados incorretos.

O relatório destaca estratégias distintas entre os líderes políticos. Enquanto Lula costuma atribuir a si a autoria de programas criados por outros governos, Jair Bolsonaro frequentemente erra ao citar estatísticas e dados de gestão.

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"Essas duas dinâmicas se complementam. De um lado, atores políticos de grande visibilidade difundem distorções cada vez mais elaboradas e difíceis de desmontar. De outro, redes anônimas ou descentralizadas alimentam narrativas que buscam enfraquecer a confiança nas instituições eleitorais."

Mudança de canais e novos desafios com IA

Nesse ínterim, o foco dos boatos anônimos migrou dos candidatos para os órgãos do processo democrático. Cerca de 73% dos conteúdos virais analisados atacavam as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Paralelamente, os canais de propagação mudaram radicalmente. Em 2018, o Facebook concentrava 76,5% das checagens. Já em 2024, o aplicativo WhatsApp esteve presente em 100% das verificações. Esse ambiente fechado dificulta o monitoramento das redes.

Por analogia, os especialistas alertam para os riscos da inteligência artificial nas próximas campanhas. Em resposta, o TSE estabeleceu novas regras para identificar materiais sintéticos e restringir o uso de IA perto da votação.

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