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"A inclusão cultural no Brasil ainda é um desafio a ser superado. E no cinema, uma das atividades culturais mais consumidas, a exclusão representa uma violação de direitos e uma perda econômica significativa". É a conclusão da primeira edição da 'Pesquisa Nacional de Acessibilidade nos Cinemas'.
Os resultados do mapeamento inédito das barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência nas salas de cinema brasileiras foram apresentados nesta semana e revelam que 70% das pessoas com deficiência recomendariam a experiência do cinema, mas com ressalvas sobre a necessidade urgente de melhorias e, entre pessoas surdas, somente 15% não recomendariam a experiência, evidenciando falhas graves na comunicação e nos recursos oferecidos.
O estudo foi organizado pela Acesssara, um hub de acessibilidade, com a Warner Bros. Pictures e a Universal Pictures, e teve apoio de Movimento Web Para Todos, Talento Incluir, Movimento Legenda Nacional, Mload, MovieReading, Museu de Artes do Rio (MAR), Tambor Biz, Vale PcD e Maré Dissidente Libras.
Alessa Paiva e Amanda Lyra, coordenadoras da pesquisa, sugerem caminhos para aprimoramento do setor. "Capacitação contínua das equipes dos cinemas. Divulgação acessível, desde trailers até campanhas publicitárias. Investimento em tecnologia assistiva e manutenção adequada. Representatividade real nas produções audiovisuais e comunicação clara sobre recursos de acessibilidade disponíveis. Acreditamos que a inclusão acontece de fato na experiência".
Baixa representatividade - O estudo ressalta que a falta de representatividade contribui para o distanciamento do público com deficiência dos espaços culturais, o que evidencia uma necessidade de reavaliação da indústria audiovisual.
- 59% dos entrevistados dizem que raramente pessoas com deficiência estão nos filmes
- 15% afirmam que nunca há essa representatividade
- 58% consideram a representatividade superficial, 39% dizem ser estereotipada e 20% avaliam como realista e respeitosa
- 60% das pessoas com deficiência e 70% das que têm deficiência visual ou cegueira consideram as campanhas de divulgação dos filmes pouco ou nada acessíveis, especialmente trailers e comerciais exibidos antes dos filmes
- 57% das pessoas com deficiência consideram as equipes dos cinemas pouco ou nada preparadas para atendê-las
- 47,5% destacam barreiras comunicacionais, com dificuldade na transmissão de informações claras e orientações adequadas
- 40,5% apontam barreiras físicas, com problemas de infraestrutura e adaptação
- 38,2% dizem haver barreiras atitudinais, com comportamento inadequado ou despreparo dos colaboradores
- 45% das pessoas com deficiência relatam insegurança, desconforto ou exclusão
- 51% das pessoas com deficiência não conhecem aplicativos de acessibilidade para cinema. Entre os que conhecem, os mais citados são Moviereading (22%), Mload (10%) e Greta (5%)
- Entre quem usa esses recursos, 43% relatam interrupções por problemas técnicos ou falta de suporte adequado
- 77% das pessoas surdas preferem legendas descritivas e 23% usam intérprete de Libras (alegam problemas com a atenção dividida em dua telas), e 60% das pessoas cegas utilizam audiodescrição
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