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Justiça mantém acordo com Leonardo para retirada do nome da 'lista suja' de trabalho escravo

Decisão ocorreu no final de outubro, após a União apresentar recurso contra acordo

4 nov 2026 - 16h20
(atualizado às 16h39)
Justiça mantém acordo com Leonardo para retirada do nome da 'lista suja' de trabalho escravo
Justiça mantém acordo com Leonardo para retirada do nome da 'lista suja' de trabalho escravo
Foto: Reprodução/Instagram

A Justiça do Trabalho de Goiás manteve o acordo firmado entre o cantor Leonardo e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para retirar seu nome da chamada "lista suja" do trabalho escravo. A decisão foi proferida no final de outubro pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18) após a União apresentar recurso.

O sertanejo havia sido incluído à lista de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, onde também apareciam outros 176 nomes. 

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O documento foi divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em outubro de 2024, no qual o artista aparecia ali devido à uma fiscalização realizada em novembro de 2023 nas fazendas Talismã e Lakanka, na cidade de Jussara, no interior de Goiás, onde foram encontradas seis pessoas em condições degradantes.

O Terra procurou a assessoria do Leonardo, que afirmou que a equipe jurídica encaminhará a manifestação em breve. 

Pouco mais de dois anos depois, em abril de 2026, Leonardo firmou um acordo com o MPT, homologado pela Vara do Trabalho de São Luís de Montes Belos, na qual foi determinado que o MTE retirasse o nome do cantor da lista. 

De acordo com a Justiça do Trabalho, a União entrou com um mandado de segurança contra a decisão, alegando que a gestão desse cadastro cabia somente ao MTE e que o acordo firmado pelo MPT não poderia impor essa obrigação à pasta, já que não participou do acordo. Foi pedido ainda acesso à íntegra do processo de homologação. 

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Em julho de 2026, o desembargador Paulo Pimenta, relator do processo, extinguiu o processo, sem analisar a existência ou não do vício alegado, por considerar que o mandado de segurança não é meio processual apto a invalidar a decisão judicial que homologou o acordo. 

O magistrado ainda ressaltou que a forma processual prevista na legislação para tentar “desconstituir” a decisão da Vara do Trabalho é a ação rescisória, prevista no artigo 966 do Código de Processo Civil (CPC) e na Súmula 259 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no caso de acordos trabalhistas homologados.

Após a decisão, a União apresentou um agravo interno, que foi rejeitado por unanimidade pelo colegiado, em 23 de outubro. Na decisão, o TRT reiterou que a via processual adequada não era aquela. 

Cantor Leonardo se defende após aparecer em 'Lista Suja' do trabalho análogo à escravidão: 'Equívoco grande'
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Relembre o caso

Entre os seis trabalhadores resgatados estava um adolescente de 17 anos. Todos viveriam em condições análogas à escravidão, aponta o documento. Segundo o relatório de fiscalização das fazendas, obtido pelo Repórter Brasil, os trabalhadores dormiam em uma casa abandonada. 

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Tomada por insetos e morcegos, camas improvisadas: como era casa de resgatados em fazenda de Leonardo
Foto: Reprodução/MTE/Repórter Brasil

No local, não havia água potável, banheiro e camas. Para dormir, as pessoas improvisavam uma "cama" com tábuas de madeira e galões de agrotóxicos. O documento também descreve que o local tinha sido tomado por insetos e morcegos, além de exalar um "odor forte e fétido".

Ainda conforme o relatório, os trabalhadores foram resgatados na fazenda Lakanka, vizinha à Talismã. De acordo com a Repórter Brasil, em 2022, o terreno da Lakanka foi arrendado para outra pessoa fazer o plantio de grãos, mas o documento de fiscalização aponta que a limpeza e preparação do local ainda seriam responsabilidade de Leonardo e, por isso, ele foi identificado como empregador.

Na época em que a lista foi divulgada, Leonardo postou um vídeo em seu perfil no Instagram, no qual disse estar "triste e surpreso" com a inclusão na lista do MTE.  "Não conheço quem estava lá naquelas casinhas, nem quem os colocou lá, porque, gente, eu já plantei tomate. Eu sei como é a vida, é difícil, e do fundo do meu coração, jamais faria algo assim, entenderam? (...) “Eu não me misturo nessa lista que eles fizeram de trabalho escravo, sou totalmente contra esse tipo de coisa", concluiu o cantor.

Além do pronunciamento nas redes sociais, Leonardo pagou R$ 225 mil em indenizações aos seis trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão.

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Fonte: Portal Terra
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