Carmo Dalla Vecchia caminha para os 21 anos de casamento com o autor de novelas João Emanuel Carneiro e já contou que nunca teve relações íntimas com uma mulher. Durante a maior parte dos anos na televisão, esse lado da vida pessoal do ator foi um segredo para o público, mesmo que já tenham tentado expor a sexualidade dele.
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Em entrevista ao Terra, o artista relembra que a mesma mídia que hoje defende a diversidade e o respeito a todos, há pouco tempo achava que era algo normal expor a sexualidade de uma pessoa contra a vontade dela, prática conhecida como outing.
"Os jornalistas que hoje levantam as pautas das mulheres, dos negros, dos trans, bem pouco tempo atrás te obrigavam a fazer o outing. Fui dar uma entrevista para uma revista que falava de família, e a repórter, que era super fofa, olhou para mim no meio da entrevista e disse assim: 'Todo mundo diz que você é gay e você não fala sobre o assunto, por quê?'", recorda.
"Achei que ela fosse dizer: 'Todo mundo diz que você é um bom colega, que não dá problema em cena ou que está sempre presente'. Fui inocente, mas olhei para ela e disse: 'Porque não quero ser o cara que atravessa a ponte com uma bandeira na mão e leva um tiro nas costas e morre porque tá carregando essa bandeira'. Ainda disse que não tinha nenhum problema com isso. Ela olhou para mim, deu um sorrisinho de canto de boca e disse: 'Imagina se tivesse'", completa Carmo.
Porém, o receio que Carmo tinha de sofrer preconceito por causa da própria sexualidade diminuiu com o tempo e deu espaço à vontade de levar mais representatividade e visibilidade para a comunidade LGBTQIAPN+. Foi assim que ele contou ser gay durante uma participação no Domingão em 2021 e ainda falou pela primeira vez sobre o casamento com João Emanuel Carneiro.
Agora, Dalla Vecchia considera que o mundo mudou e que não está mais sozinho. "Hoje, quero ser essa pessoa. Não sou o único que está atravessando a ponte com a bandeira na mão, mas estou pronto para levar o tiro nas costas e continuo em pé."
O galã recorda que, quando deixou Santa Maria (RS) na década de 1980, não tinha exemplos de homens gays que falavam abertamente sobre a própria sexualidade e que pudessem inspirá-lo. A única pessoa que conhecia que fazia isso era Elton John, artista que admira até hoje.
"Não tive exemplos antes de mim de pessoas como eu, que falavam da orientação sexual de uma maneira tão natural e tranquila, sem que isso fosse um tabu. Não tive essa pessoa na minha vida. Me tornar representativo era o que queria quando decidi falar sobre o assunto. Se puder trazer representatividade para a minha comunidade que foi invisibilizada durante tanto tempo e continua sendo, aceito essa bandeira", conclui Carmo.