A Zontes abriu nesta terça-feira (2) a pré-venda da 368G, scooter de média cilindrada desenvolvida para unir a praticidade da transmissão automática ao uso em estradas de terra. O modelo chega ao mercado por R$ 45.800 e inaugura um segmento ainda pouco explorado no Brasil: o das scooters aventureiras de média cilindrada.
Ela é a primeira do tipo a ocupar um espaço entre as scooters urbanas de entrada e modelos mais sofisticados, como a Honda X-ADV 750. A rival japonesa custa R$ 93.500 sem frete, tem motor significativamente mais potente e utiliza transmissão de dupla embreagem. Na outra ponta estão Honda ADV (R$ 25.520) e Yamaha Aerox (R$ 18.990), ambas equipadas com motores de 160 cilindradas.
Com motor de 367,6 cm³, a Zontes tenta ocupar justamente esse meio-termo, oferecendo mais desempenho e recursos que as scooters menores, sem alcançar os preços das opções premium.
O lançamento, porém, não significa a aposentadoria da 350E, modelo mais vendido da marca chinesa no Brasil. Pelo contrário. Durante a apresentação técnica da novidade, executivos e engenheiros da Zontes reforçaram que os dois produtos terão propostas distintas dentro da linha.
Entrega corresponde ao visual?
Ainda é cedo para responder. A unidade exibida durante o lançamento era um modelo pré-série e algumas características ainda serão alteradas na versão definitiva. Visualmente, a 368G pode parecer apenas uma 350E com roupas de aventura. Mas a engenharia garante que as mudanças vão muito além da aparência.
Segundo Carlos Zolin, responsável pela adaptação do produto ao mercado brasileiro, o modelo foi desenvolvido para enfrentar situações que uma scooter convencional dificilmente encararia.
Para começar, a nova scooter recebeu vão livre do solo de 180 mm, rodas raiadas para pneus sem câmara, roda dianteira de 17 polegadas, suspensão invertida de longo curso, amortecedores traseiros a gás e barras de proteção da carenagem.
Pois é, a nova Zontes 368G tem quatro pedaleiras, você não leu errado. Existem duas para o garupa e duas para o piloto. "Mas scooter não tem o recuo atrás do escudo para encaixar os pés?", você deve se perguntar. Sim, está correto. Mas a fabricante adicionou duas pedaleiras para o piloto poder levantar na hora de encarar um off-road um pouco mais pesado (veja no vídeo abaixo).
Zolin explicou que elas permitem ao piloto adotar uma postura semelhante à utilizada em motocicletas de trilha.
"Você pode levantar como um piloto off-road. Vai passar por buracos e pedregulhos e consegue pilotar em pé", explicou.
368G é mais leve que a 350E
Apesar de parecer maior que a 350E, a 368G ficou mais leve.
O desenvolvimento do modelo envolveu um amplo trabalho de redução de massa em diversos componentes. Entre as soluções adotadas está o uso de alumínio em peças estruturais que antes utilizavam materiais mais pesados.
"Em alguns comparativos feitos na China, a motoneta reduziu 13 kg. As engrenagens da transmissão final da 350 são maciças. Na 368 já são aliviadas para reduzir peso", disse Zolin.
A redução de peso não ocorreu apenas no conjunto ciclístico. Segundo o engenheiro, o próprio motor ficou cerca de 4 kg mais leve que o utilizado na família 350.
O motor cresceu; a potência, não
A cilindrada aumentou de 349 cm³ para 367,6 cm³, mas a potência máxima permaneceu em 39 cv. O ganho aparece principalmente na forma como o motor entrega força.
Os engenheiros também admitiram que as regras de emissões tiveram influência direta nessa decisão.
"Ela tem a mesma potência, porém a entrega e a curva de torque foram bastante otimizadas", explicou Zolin.
Para ele, as exigências atuais de emissões limitam aumentos expressivos de potência e levam os fabricantes a concentrar esforços em eficiência e dirigibilidade.
O motor entrega 4,0 kgfm de torque e segue acoplado a uma transmissão CVT. Em comparação com a 350E, o ganho foi de apenas 0,1 kgfm.
O modelo traz ABS de dois canais com possibilidade de desligamento da roda traseira, além de controle de tração configurável pelo piloto.
Segundo Zolin, os sistemas foram calibrados para trabalhar em conjunto com os pneus mistos e a transmissão CVT.
"Você precisa ter um controle de tração aliado ao ABS dianteiro para não correr risco de escorregar em lama ou pedregulho solto", afirmou.
O piloto também pode desligar totalmente o controle de tração para uso mais agressivo fora de estrada.
Adaptação ao Brasil
Antes de chegar às concessionárias, a 368G passou por um longo processo de homologação.
Wirleyson Nunes, engenheiro da Zontes, explicou que o principal desafio foi adaptar o conjunto mecânico às características do combustível brasileiro.
"O Brasil é praticamente único por utilizar uma mistura com até 30% de etanol. Precisamos homologar o veículo para atender às emissões e também funcionar adequadamente com o combustível encontrado nos postos", afirmou.
Segundo ele, o trabalho exigiu diversos ciclos de calibração junto ao Ibama até que a scooter atendesse simultaneamente os requisitos de emissões e durabilidade.
"O combustível de homologação é diferente do combustível que encontramos nos postos. Tivemos que adequar o produto para ambas as situações", completou.
Câmeras, piloto automático e seis portas USB
Entre os destaques estão as câmeras dianteira e traseira Full HD com armazenamento interno de 128 GB, conectividade Zontes Smart, seis portas USB — sempre fazendo um conjunto de Tipo A e Tipo C, sendo duas no painel, duas no porta-luvas e duas sob o assento —, piloto automático, chave presencial, painel TFT e faróis auxiliares de série.
As câmeras funcionam como um sistema DVR (digital video recorder) integrado à scooter, permitindo gravação contínua dos trajetos. O compartimento sob o banco tem 52 litros e acomoda dois capacetes fechados, mesmo com a proposta mais aventureira do modelo.
Os primeiros compradores receberão a Zontes 368G em julho e ela é vendida em quatro cores: verde, cinza, preto e marrom. A garantia é de três anos.