A Volkswagen do Brasil lançou um manifesto pela valorização do jornalismo no setor automotivo. Trata-se de uma iniciativa em prol da informação de qualidade num ambiente com desinformação e fake news em publicações que buscam apenas engajamento, sem compromisso com a verdade factual. O texto foi assinado por Cláudio Rawicz, Diretor Executivo de Comunicação e Sustentabilidade. O Guia do Carro reproduz abaixo, na íntegra.
Carta aberta à Imprensa
O início de um novo ano é sempre um convite à reflexão.
E 2026 chega como um desses momentos raros em que transformação, responsabilidade e oportunidade se encontram.
Para a Volkswagen, este é um ano especialmente simbólico. Não apenas pelo ciclo de produtos, inovação e investimentos que estamos vivendo no Brasil, mas porque ele coincide com uma profunda mudança na forma como a informação é produzida, distribuída e validada. A chegada definitiva da Inteligência Artificial aos processos de busca, consumo de conteúdo e tomada de decisão está mudando radicalmente o jogo para as marcas, para os consumidores e, sobretudo, para a imprensa.
Há muita gente enxergando esse momento com receio. Eu vejo com enorme otimismo. Isso porque, na era das LLMs (Large Language Models ou Grandes Modelos de Linguagem), dos grandes buscadores e dos assistentes de IA, não é o conteúdo mais barulhento que ganha relevância, e sim o mais confiável. Algoritmos aprendem com fontes sérias, verificáveis, auditáveis. E isso recoloca o jornalismo profissional no centro do ecossistema da informação.
Nunca foi tão importante produzir conteúdo técnico, imparcial, contextualizado e responsável. E nunca o papel do jornalista foi tão estratégico para a visibilidade, a reputação e a legitimidade das marcas. Em um ambiente saturado de opiniões, vídeos rápidos, narrativas rasas e, infelizmente, desinformação, o jornalismo volta a ser filtro, referência e bússola.
Ao mesmo tempo, sabemos que o setor automotivo vive um dos momentos mais competitivos de sua história. A chegada de novas montadoras, novos modelos de negócios e novas narrativas aumenta a demanda sobre a imprensa e sobre os criadores de conteúdo. Naturalmente, cresce também o uso de formatos pagos, publieditoriais, parcerias e ações de branded content.
Nada disso é um problema, desde que seja feito com transparência. É fundamental que a distinção entre conteúdo jornalístico imparcial e conteúdo publicitário esteja sempre clara, sinalizada e respeitada. Essa separação não enfraquece o mercado; ao contrário, ela fortalece a credibilidade de todos os envolvidos: veículos, jornalistas, criadores e marcas.
É nesse ponto que a ética deixa de ser discurso e passa a ser critério de valor. E ética, aqui, precisa ser uma via de mão dupla.
As montadoras têm a responsabilidade de oferecer acesso, dados, fontes qualificadas, transparência técnica e respeito absoluto à liberdade editorial. A imprensa, por sua vez, carrega o compromisso com a checagem, a proporcionalidade, a clareza entre fato e opinião e o respeito profissional, mesmo quando a crítica é dura, legítima e necessária.
A Volkswagen construiu, ao longo de 72 anos no Brasil, uma relação baseada exatamente nesses princípios. Portas abertas, disponibilidade total, nenhuma censura, nenhum filtro indevido. Críticas sempre foram e continuarão sendo recebidas com seriedade, porque acreditamos que a crítica técnica constrói produtos melhores e marcas mais fortes.
Seguiremos, em 2026, totalmente à disposição da imprensa e dos criadores de conteúdo do Brasil e do mundo. Para explicar, contextualizar, testar, debater, ouvir e, principalmente, para construir juntos as histórias mais relevantes para o consumidor. Histórias que não nascem de conflito, mas de confiança. Não de hostilidade, mas de profissionalismo.
Vivemos um momento único. A tecnologia muda rápido, mas os valores que sustentam a credibilidade permanecem. Transparência, ética, respeito e responsabilidade nunca foram tão necessários e nunca tiveram tanto impacto.
Que 2026 seja um ano de ainda mais proximidade, diálogo e construção conjunta entre a Volkswagen e a imprensa. O setor, as marcas, os jornalistas e, acima de tudo, o consumidor brasileiro só tem a ganhar com isso.
Com respeito e confiança,
Cláudio Rawicz
Diretor Executivo de Comunicação e Sustentabilidade
Volkswagen do Brasil