O Jeep Avenger foi enfim lançado oficialmente. Primeiro carro 1.0 da montadora, ele marca a estreia da Jeep no disputado segmento dos SUVs subcompactos. Como todo estreante, o carro precisará conquistar um público já acostumado com outras opções.
Para isso, aposta em tecnologia, sendo a única opção do segmento com algum nível de eletrificação, ainda que baixo, e equipamentos encontrados apenas em modelos mais caros.
Mas será que ele tem o que é preciso para se destacar? Para entender melhor os prós e contras do novo Jeep Avenger, o Jornal do Carro elencou três motivos que podem convencer você a comprá-lo e três que podem fazer você repensar o investimento no modelo.
Motivos para comprar o Jeep Avenger
1- Pacote de tecnologia avançado
A Jeep é conhecida por oferecer veículos um pouco mais refinados do que a média. No Avenger, isso fica evidente no pacote de recursos tecnológicos.
Desde a versão de entrada, Altitude, o SUV traz seis airbags, faróis de LED com assistente automático de farol alto, frenagem autônoma de emergência com câmera, alerta de saída e assistente de permanência em faixa, detector de fadiga do motorista e reconhecimento de placas de trânsito.
Há ainda quadro de instrumentos digital de 7 polegadas, central multimídia de 10 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, freio de estacionamento eletrônico, partida do motor por botão, sensor de chuva e sensor de estacionamento traseiro.
Na Longitude, o Avenger ganha câmera de ré, ar-condicionado digital automático, faróis de neblina com iluminação em curvas, chave presencial, carregador de celular por indução, aletas para trocas de marcha no volante e piloto automático adaptativo.
Mas é na versão Limited que estão os principais recursos. O topo de linha tem pacote ADAS de nível 2, ChatGPT embarcado e faróis de LED Matrix, sendo este último exclusivo do Avenger no segmento.
Entre seus rivais, apenas o Nissan Kicks oferece recursos ADAS de nível 2. O Volkswagen Tera também traz integração com inteligência artificial generativa, o Otto. Porém, o recurso é opcional e está disponível apenas para clientes que contrataram o plano de carro conectado ativo e utilizam o sistema operacional Android.
2- Dinâmica de condução bem acertada
Apesar do contato breve com o SUV, o Jornal do Carro pôde constatar alguns pontos positivos no Avenger, especialmente em relação à dinâmica de condução.
O SUV passou uma boa primeira impressão, com um acerto preciso dos amortecedores para as condições do nosso pavimento. Além disso, a carroceria praticamente não apresentou rolagem - quando o motorista é jogado contra a porta em uma curva, por exemplo. Com isso, o SUV se mostra estável durante a condução.
A direção também agrada, com respostas diretas e boa sensibilidade do piso, características que tornam a condução mais divertida.
3- Desconto ou isenção de IPVA em alguns estados
Por se tratar de um híbrido leve, o Jeep Avenger pode ficar livre do IPVA ou receber uma alíquota reduzida em alguns estados, sem que isso represente um custo muito maior na compra. Os benefícios estão disponíveis em locais como Amapá, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
Partindo de R$ 114.990, todas as versões do SUV são equipadas com motor 1.0 turboflex e sistema MHEV de 12V. O conjunto entrega 116 cv e 20,4 kgfm, enquanto o câmbio é automático do tipo CVT.
Trata-se do mesmo conjunto mecânico utilizado no Fiat Pulse e no Fastback.
Razões para pensar duas vezes antes de investir no Jeep Avenger
1- Pouco espaço interno
O Avenger fica devendo quando o assunto é espaço. Com apenas 4,08 m de comprimento e 2,56 m de entre-eixos, ele é o menor da categoria, e isso se reflete tanto na cabine quanto no porta-malas.
Para os mais altos, o carro pode ser um pouco desconfortável, principalmente por causa dos bancos dianteiros curtos e estreitos.
E não se deixe enganar pelo porta-malas. Apesar de a Stellantis, dona da marca Jeep, divulgar capacidade de 410 litros, esse volume corresponde ao total. No padrão VDA, mais próximo de uma utilização real, o espaço cai para 320 litros.
É o menor volume entre os SUVs subcompactos, empatado com o Pulse. O Kardian, por exemplo, tem 358 litros de porta-malas, o Tera oferece 350 litros e o Chevrolet Sonic tem bons 392 litros.
2- Conjunto MHEV perdeu potência e não é tão eficiente assim
O conjunto híbrido pode até ser o mesmo do Pulse, mas, no Avenger, recebeu uma recalibração. A potência caiu de 130 cv com etanol e 125 cv com gasolina para 116 cv com ambos os combustíveis.
Além disso, pelo ciclo do Inmetro, as médias de consumo são de 12,7 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, os números são de 8,8 km/l e 9,4 km/l, respectivamente.
Não são números ruins, mas também não superam os de alguns concorrentes sem eletrificação. Pelo ciclo do Inmetro, o Tera 1.0 turbo com câmbio manual faz até 15 km/l na gasolina, enquanto a versão automática chega a 14,5 km/l em ciclo rodoviário.
O Renault Kardian também apresenta médias superiores. Com gasolina, a versão equipada com transmissão automatizada de dupla embreagem faz 12,2 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada.
3- Preço baixo, mas só por enquanto
O preço inicial de R$ 114.990 coloca o Avenger Altitude em uma posição competitiva dentro do segmento. Ele é mais barato que o Chevrolet Sonic de entrada, por exemplo, que custa R$ 129.990.
Com o Convenience Pack, que adiciona entradas USB e USB-C traseiras, retrovisor interno sem moldura, retrovisores externos com rebatimento elétrico, monitoramento de ponto cego e sensores de estacionamento dianteiros, traseiros e laterais, o preço sobe para R$ 124.990, ainda abaixo do rival.
Mesmo as versões automáticas de Kardian, Tera e Kait não desbancam o preço do Avenger.
Porém, essa tabela só é referência para quem puder investir no carro agora. Trata-se de um valor de lançamento válido apenas para as primeiras 1.000 unidades — ou 2.000, no caso dos pedidos com o Convenience Pack. Depois disso, o preço da versão de entrada subirá para R$ 119.990.
O próprio Jeep Renegade tem uma versão básica, maior e mais potente, que custa R$ 124.990 — ou R$ 129.990 sem o desconto promocional. O valor é inferior ao do Avenger Longitude, configuração intermediária que custa R$ 135.990.
Já a opção Limited parte de R$ 145.990. Apesar do bom pacote de equipamentos, há outros modelos que podem ser considerados nessa faixa de preço.
O BYD Atto 2 GL é um bom exemplo. O SUV chinês custa R$ 149.990, mede 4,33 m de comprimento e tem um conjunto mecânico híbrido plug-in.
A versão de entrada tem 177 cv combinados e, embora ainda não tenha consumo homologado pelo Inmetro, a promessa da BYD é de até 1.000 km de autonomia combinada, considerando a bateria de 7,85 kWh.