Apesar da percepção de uma invasão chinesa no mercado automotivo, a maioria das marcas atua com volumes inferiores a 1.500 unidades por ano, sem escala industrial, logística consolidada ou pós-venda estruturado. Elas estão testando o mercado e/ou ocupando lacunas deixadas por montadoras tradicionais. Mas o crescimento é real. Em 2024, havia 20 marcas e submarcas chinesas no Brasil; em 2025, esse número subiu para 38.
Concentração extrema e ilusão de diversidade
A conclusão é da consultoria automotiva K.Lume, que analisou a performance das marcas chinesas no mercado automotivo brasileiro em 2025 e definiu o cenário como de “crescimento acelerado, concentração extrema e ilusão de diversidade”. Somadas, essas marcas atingiram 244,9 mil emplacamentos no ano, alta de 44,7% em relação a 2024 (169,3 mil unidades).
O estudo aponta um ponto de inflexão claro no crescimento das marcas chinesas, porém menor do que o discurso geral sugere, já que o avanço é altamente concentrado e dependente de poucas empresas. No ano passado, 98,4% dos emplacamentos dessas marcas foram de automóveis de passeio (241.068 unidades), embora haja potencial de crescimento nos comerciais leves.
A concentração é elevada: BYD, CAOA Chery e GWM (com suas submarcas) respondem por 93,6% das vendas; com mais duas empresas, a participação chega a 98%. Segundo a K.Lume, esse desempenho se explica por produtos bem posicionados em preço, equipamentos e tecnologia, além da aposta consistente em eletrificação — área pouco explorada pela indústria nacional na última década, com exceções pontuais como a Toyota.
Chinesas crescem 18 vezes mais que o mercado
No segmento de comerciais leves, as vendas cresceram 217%, de 1.213 unidades em 2024 para 3.845 em 2025, ainda sobre uma base pequena e dependente de movimentos específicos. Enquanto o mercado total cresceu 2,4% em 2025, as marcas chinesas avançaram 44,7%, impulsionadas por novidade, preços competitivos, tecnologia, design, eletrificação e forte foco em SUVs.
Fabricantes tradicionais rebatem ressaltando a importância de rede de serviços, pós-venda, peças, valor residual, governança local e longevidade. As chinesas, por sua vez, destacam novos métodos produtivos, desenvolvimento de materiais e software e aprendizado com erros do passado. A consolidação real desse movimento deverá ficar mais clara em 2026.
Vendas das marcas chinesas no Brasil (K.Lume)
BYD: 112.973 unidades (+46,9%)
– BYD: 112.931 (+46,9%)
– Denza: 42 unidades (lançada em 2025)
CAOA Chery: 71.439 unidades (+17,2%)
– Operação própria no Brasil
GWM: 42.796 unidades (+46,5%)
– Haval: 34.179 (+49,3%)
– Ora: 3.238 (-48,8%)
– Poer: 1.280 (lançada em 2025)
– Tank: 3.514 (lançada em 2025)
– Wey: 585 (lançada em 2025)
Jaecoo: 4.925 unidades (lançada em 2025)
– Operação conjunta com a Omoda
GAC: 3.641 unidades (lançada em 2025)
– GAC: 2.192 (lançada em 2025)
– Aion: 1.449 (lançada em 2025)
Geely: 3.370 unidades (lançada em 2025)
– Operação própria (26,4% da Renault do Brasil)
Omoda: 2.303 unidades (lançada em 2025)
– Operação conjunta com a Jaecoo
JAC Motors: 988 unidades (-51,3%)
– Mais antiga marca chinesa em operação no Brasil
Zeekr: 571 unidades (+507,4%)
– Mercado de luxo, com baixos volumes
Leapmotor: 527 unidades (lançada em 2025)
– Pertence ao grupo Stellantis
MG: 96 unidades (lançada em 2025)
– Pertencente ao grupo SAIC; operação oficial no Brasil como MG