É difícil dizer atualmente o que define algo que merece um remake. Jogos com décadas nas costas parecem escolhas óbvias, mas e aqueles que ainda funcionam muito bem mesmo após uma ou duas gerações? Existem títulos que envelhecem de forma tão natural que a ideia de refazê-los acaba gerando mais dúvidas do que entusiasmo.
Rayman Legends Retold é um desses casos que daria para discutir por horas. Lançado originalmente em 2013, o jogo continua sendo lembrado como um dos melhores trabalhos da Ubisoft e um dos grandes representantes dos jogos de plataforma modernos. Justamente por isso, a decisão de revisitar essa aventura parecia arriscada. Depois de experimentar uma parte do conteúdo e conhecer as novidades preparadas para essa nova versão, a sensação é que a Ubisoft não está apenas trazendo Rayman Legends de volta, mas procurando maneiras de expandir algo que já funcionava muito bem.
O desafio de revisitar um clássico
Rayman Legends é um dos jogos mais lembrados da Ubisoft, mesmo após mais de uma década de seu lançamento. Muito disso se deve ao fato de ser um excelente jogo de plataforma, com uma direção de arte realmente memorável e fases que misturavam desviar de inimigos, resgatar os Teensies e encarar os famosos estágios musicais, onde cada salto e movimento se encaixavam perfeitamente com a trilha sonora.
Justamente por isso, a primeira coisa que me deixou com um pé atrás em Rayman Legends Retold foi a mudança do visual 2D para o 3D. Afinal, estamos falando de um dos jogos mais amados que a Ubisoft Montpellier já produziu.
Depois de toda a explicação sobre como esse remake funcionaria, boa parte das dúvidas que eu tinha foi desaparecendo. Quando finalmente pude jogar, ficou claro que a Montpellier e a Milan trabalharam bastante nessa nova versão. Mais do que atualizar o visual, elas conseguiram melhorar um jogo que parecia quase impossível de aprimorar ainda mais.
Logo na primeira cena de Rayman Legends Retold já é possível perceber o tamanho das mudanças. A abertura lembra uma grande animação da DreamWorks ou até mesmo da Disney. A sequência segue a mesma base da introdução vista no jogo original de 2013, mas traz diversas alterações, além do retorno das vozes que marcaram a franquia. Muitas dessas adições servem para reforçar a identidade desta nova versão, principalmente por causa das fases inéditas com dragões. Em vários momentos, tive a sensação de estar assistindo a algo saído diretamente de Como Treinar o Seu Dragão.
Falando da jogabilidade, praticamente não tenho reclamações. Durante as fases dos dois primeiros mundos disponíveis, Old Teensie Kingdom e The Stinkbog, senti quase uma memória muscular voltando automaticamente. Tudo está exatamente onde deveria estar. Os inimigos, os desafios e os segredos permanecem fiéis ao original, enquanto o visual atualizado preserva a identidade artística do jogo, agora com modelos mais detalhados e tridimensionais.
A posição dos inimigos continua a mesma, assim como as áreas extras onde os Teensies estão escondidos. A trilha sonora também recebeu um tratamento especial. Foi possível notar remasterizações e pequenas adições que deixam a experiência ainda melhor, algo que certamente vai agradar quem guarda carinho não apenas por Rayman Legends, mas pela franquia como um todo.
Mas, de tudo que pude jogar, o que realmente chamou minha atenção foram as fases inéditas com dragões, a principal novidade de Retold. Nelas, até mesmo a câmera muda completamente sua abordagem.
Foi possível experimentar duas dessas fases. Em vez da tradicional câmera lateral do jogo original, a visão passa a acompanhar o dragão por trás. O objetivo é simples. Precisamos levar os Teensies até um local seguro, desviando dos obstáculos, destruindo objetos pelo caminho e enfrentando inimigos que surgem durante o percurso.
Essas fases me divertiram bastante porque acrescentam algo novo sem comprometer a essência de Rayman Legends. A sensação é de que elas sempre fizeram parte do jogo. Além disso, são visualmente impressionantes, com cenários que estão constantemente em movimento. A fase ambientada em The Stinkbog foi facilmente a minha favorita das duas. Nela, era possível observar o chefe se preparando ao longo do trajeto, vestindo sua armadura enquanto avançávamos pelo cenário. Tudo culminava em uma sequência que começava nos pântanos e seguia até os céus, cercada por tempestades e raios caindo a todo momento.
Considerações
Mesmo sendo apenas uma fração do conteúdo que esse remake tem para oferecer, saí muito empolgado da sessão. As mudanças visuais impressionam, as fases clássicas continuam tão divertidas quanto eram mais de uma década atrás e as novidades com os dragões parecem uma adição natural ao pacote.
Ainda existe bastante coisa para descobrir na versão completa, mas a primeira impressão é extremamente positiva. Rayman Legends já era um dos melhores jogos de plataforma da Ubisoft, e Retold dá sinais de que pode se tornar a versão definitiva dessa aventura para uma nova geração de jogadores.
Rayman Legends Retold chega em 1.º de outubro para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.