Gabi Guimarães sai em defesa de Tiffany: 'Em algum momento alguém pensou na pessoa?'

Ponteira questiona verdadeiro motivo da decisão da CBV e diz: 'Só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?'

16 ago 2026 - 22h06

Líder da seleção brasileira feminina, Gabi Guimarães se manifestou na noite deste domingo, dia 16, a respeito da polêmica decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que pode impedir Tiffany Abreu de atuar na Superliga feminina pelo Osasco por ser uma mulher trans.

Por falar em desigualdade, Gabi ainda trouxe a reflexão sobre uma importante causa - a de que não basta não ser preconceituoso, mas é preciso combater o preconceito. "Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. É preciso se posicionar sempre. É preciso enxergar além do superficial para ver o que realmente importa."

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Indo na contramão da decisão da CBV, Tiffany ao menos recebeu a boa notícia de que pode participar do Campeonato Paulista de vôlei, já que a Federação decidiu manter as regras vigentes quando a competição começou, em 13 de agosto.

Entenda o caso

Nesta semana, a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para competições femininas, exigindo que atletas tenham sexo biológico feminino. A medida, alinhada com o COI e FIVB, impede Tifanny Abreu, jogadora transexual do Osasco, de competir a partir deste ano.

O Osasco mostrou todo seu apoio à atleta e já acionou seu departamento jurídico. A política será aplicada em torneios como a Supercopa 2026 e Copa Brasil 2027, visando equiparar os campeonatos nacionais aos internacionais.

Apesar da decisão da CBV, Tifanny foi autorizada pela Federação Paulista de Vôlei (FPV) a disputar o Campeonato Paulista Feminino. A decisão da entidade se baseia no fato de o torneio já estar em andamento. Tifanny poderá jogar no Estadual, mas ficará impedida de participar da Superliga 2026/27 e outras competições nacionais.

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Confira o post de Gabi Guimarães na íntegra:

"Quem vai estar na guerra ao seu lado?

E isso importa? Mais do que a própria guerra."

Hoje abro o post com essa frase que tem feito cada vez mais sentido dentro de mim. Quem está verdadeiramente ao seu lado? Quando algo importante acontece com você, quem segura sua mão? Quem se expõe? Quem olha no seu olho e fica junto?

Reflito sobre isso fazendo também um balanço sobre como agi ao longo da minha carreira. Das oportunidades que perdi de falar o que sentia ou de me posicionar, porque não estava segura o suficiente, ou por medo, ou porque simplesmente é muito mais fácil e cômodo ficar quieta no meu canto. Mas o mais fácil e cômodo normalmente não é o caminho mais correto.

Então hoje quero falar publicamente sobre a minha revolta e o meu incômodo com a forma como o caso da Tiffany vem sendo tratado no nosso país.

Aconteceu uma mudança de rumo na última semana que foi apenas comunicada às pessoas envolvidas. Sem explicação plausível, já que a regra internacional já existia antes, e sem nenhum olhar pra um ser humano que tem uma história, que está com uma temporada em andamento e que depende do seu trabalho para viver. A mudança foi planejada ou pensada por quem? Defendendo os interesses de quem? Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tiffany, em como isso impactaria a vida dela? Já são nove anos disputando Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?

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Para tudo na vida existe bom senso, existe timing e existe a forma de ser feito.

É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa.

Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?

Recentemente a seleção masculina foi alvo de ataques gravíssimos e quase nada foi dito ou defendido. A gente só vai poder ter o direito de ser quem somos se formos campeões olímpicos? Em caso de derrota, volta todo mundo pro armário?

Porque esse é o recado que está sendo transmitido. E aí? Quem vem pra guerra com você?

Realmente se posicionar não é fácil, mas é uma escolha. Porque já dizia outro ditado: não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. É preciso se posicionar sempre. É preciso enxergar além do superficial para ver o que realmente importa. Tiffany é um ser humano que merece todo nosso respeito. Mas, infelizmente, foi duramente desrespeitada.

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"Agora estão me levando. Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém.

Ninguém se importa comigo."

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