O basquete do Vasco atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A saída de Léo Figueiró, confirmada nesta segunda-feira (26), expõe uma combinação perigosa de fatores técnicos, financeiros e esportivos que colocam o clube diante de uma ameaça real de rebaixamento no NBB 2025/26. A decisão do treinador de aceitar um convite para integrar a Seleção Brasileira e a estrutura da CBB ocorre justamente no auge da crise cruz-maltina.
Lanterna isolado da competição, o Vasco soma apenas três vitórias em 23 partidas e ocupa a 20ª colocação. O desempenho é muito abaixo do apresentado nas duas temporadas anteriores, quando a equipe alcançou as quartas de final do campeonato. O recorte mais recente escancara o problema: derrotas seguidas e atuações frágeis, como no revés por 67 a 60 para o Mogi, em pleno São Januário, resultado que aprofundou a pressão sobre elenco e comissão técnica.
A queda brusca de rendimento tem origem fora de quadra. A perda do patrocínio máster obrigou o clube a montar um elenco emergencial apenas para garantir presença na elite do basquete nacional. Sem capacidade de investimento, o projeto perdeu competitividade e passou a conviver com limitações evidentes. Na tentativa de reagir, o Vasco buscou reforços durante a temporada, trazendo os norte-americanos Lamar Morgan e Lamonte Bearden, além do colombiano Johan Rojas. Até aqui, porém, o entrosamento não aconteceu e os resultados seguem negativos.
Com a saída de Figueiró, a diretoria optou por uma solução interna. Cássio Santos, ex-jogador do clube e auxiliar técnico, assume o comando principal em meio a um cenário de sobrevivência. Identificado com a instituição e conhecedor do elenco, ele terá como principal missão recuperar o aspecto mental de um grupo que se acostumou a perder ao longo da temporada e precisa reagir rapidamente para evitar a queda à Liga Ouro.
A situação na tabela é crítica. Vasco, Basket Osasco e Botafogo travam uma disputa direta contra o rebaixamento, separados por apenas um ponto. Os dois últimos colocados ao fim do returno descem de divisão, o que torna cada jogo decisivo. A agenda não ajuda: o time terá uma sequência fora de casa contra Pato Basquete e Brasília, confrontos que podem definir o futuro do projeto ainda nas próximas semanas.
Léo Figueiró deixa São Januário com prestígio elevado no cenário nacional, mas com um desfecho amargo no clube. O treinador que conduziu o Vasco a campanhas sólidas recentemente não conseguiu repetir o sucesso em um contexto marcado pelo sucateamento do investimento no basquete. Agora, resta ao Vasco reagir em meio à tempestade perfeita para evitar um rebaixamento que parecia impensável há pouco tempo.