Os sócios do Vasco aprovaram a venda de 90% da SAF para a Almirante Participações, liderada por Marcos Lamacchia e Mário Junqueira. O acordo prevê R$ 500 milhões no futebol em cinco anos, além de verbas para infraestrutura e pagamento de dívidas. Os associados também autorizaram reduzir a fatia mínima do clube para 10%. A concretização do negócio ainda depende do cumprimento de exigências contratuais, autorizações judiciais e do aval do Cade e da Anresf sobre possível conflito de interesses.
O Vasco deu mais um passo importante para definir o futuro de seu futebol. Em meio à busca por estabilidade financeira e novos investimentos, o clube realizou nesta sexta-feira (23) uma votação decisiva sobre a transferência do controle de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Os sócios aprovaram a proposta de venda de 90% das ações para a Almirante Participações, empresa dos empresários Marcos Lamacchia e Mário Junqueira. A decisão encerra a última etapa interna de aprovação do negócio, que prevê a manutenção dos 10% restantes com o Vasco associativo.
Segundo informações do ge, a proposta recebeu 4.675 votos favoráveis, 437 contrários e 48 abstenções. A Assembleia Geral Extraordinária aconteceu em formato híbrido, com participação presencial na Sede Náutica da Lagoa, no Rio de Janeiro, e votação pela internet.
Os associados também aprovaram uma alteração no estatuto do clube, reduzindo de 20% para 10% a participação mínima do Vasco na SAF. A mudança recebeu 4.852 votos favoráveis, 479 contrários e 69 abstenções.
Após a divulgação do resultado, o presidente Pedrinho comemorou a decisão e classificou a votação como um momento histórico para o clube.
"É um dia histórico", afirmou o dirigente, que também destacou a busca por um investidor com capacidade financeira para contribuir com a reconstrução do Vasco.
A proposta da Almirante Participações prevê um investimento mínimo de R$ 500 milhões no futebol ao longo de cinco anos, dividido em parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC.
O acordo também estabelece aportes de pelo menos R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional e R$ 30 milhões na infraestrutura das categorias de base, além de compromissos relacionados ao pagamento de dívidas.
Apesar da aprovação, a transferência das ações ainda não foi concluída. A operação depende do cumprimento de condições contratuais, autorizações judiciais e análises dos órgãos fiscalizadores.
Um dos pontos em discussão envolve a relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O empresário é enteado da dirigente, situação que levou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) a analisar um possível conflito de interesses.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também analisa a operação. Somente após o cumprimento das exigências previstas no acordo será possível concluir a transferência do controle da SAF para o grupo investidor.