São Paulo: reforma que diminuiria poderes da presidência é reprovada em vitória da gestão Massis

Texto reformulava estrutura política são-paulina após investigações recentes no clube

27 ago 2026 - 17h27
(atualizado às 17h27)
Resumo
O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou a reforma estatutária que visava reduzir os poderes da presidência e profissionalizar a gestão. Em vitória para a base do presidente Harry Massis contra a oposição, todos os 12 blocos de propostas foram rejeitados por cerca de 125 a 110 votos. O projeto, motivado por crises e investigações recentes, pretendia fortalecer o Conselho de Administração, desvincular o futebol do clube social, ampliar a fiscalização e impor sanções a dirigentes corruptos.

O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou a proposta de reforma estatutária. O texto mudava a estrutura política do clube, visando diminuir poderes do presidente, reforçar o Conselho de Administração e afastar o departamento de futebol do clube social.

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Às vésperas da votação, a pauta dividiu a política são-paulina. Grupos de oposição à gestão de Harry Massis, o que inclui o presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu Júnior, defendiam a reforma.

Aliados de Massis foram contra e pediram pelo adiamento da votação duas vezes até o início do pleito na quarta-feira. Ao todo, foram 12 blocos de propostas que reformulam a estrutura política do clube, e todos foram reprovados. Cada um tinha uma votação independente. A reprovação teve, em média, 125 votos contra 110.

São Paulo não terá mudanças no estatuto pretendidas por parte dos conselheiros.
São Paulo não terá mudanças no estatuto pretendidas por parte dos conselheiros.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Ainda que o trâmite para mudanças no estatuto tenha começado na gestão de Júlio Casares, boa parte dos itens aparece como uma resposta às recentes crises do São Paulo, envolvendo o próprio ex-presidente e ex-diretores investigados por uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil por corrupção privada no esporte. Uma das ideias era o estabelecimento de penas a dirigentes que "utilizarem recursos do São Paulo em benefício próprio".

A redução de poderes do presidente viria com reforço do Conselho de Administração. A ideia era de que o grupo tivesse, além do mandatário, três conselheiros, um representante do Conselho Consultivo e cinco integrantes independentes, selecionados por uma empresa especializada em recrutamento e submetidos ao aval do Conselho Deliberativo.

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O Consultivo é composto por ex-presidentes e ex-presidentes do Deliberativo e é tido como um grupo de "notáveis" do São Paulo.

Outra mudança definiria que o presidente eleito não assumiria automaticamente a presidência do Conselho de Administração. O grupo passaria por uma eleição entre os nove membros. O órgão também poderia propor a destituição do presidente caso sete dos nove integrantes aprovem a medida.

Os conselheiros independentes têm direito a remuneração, que, segundo a reforma, seria definida pelo Conselho Deliberativo sem o limite previsto atualmente de chegar no máximo a 70% do teto do funcionalismo público do país, que é de R$ 46.366,19.

Atualmente, o Conselho de Administração é formado por presidente, vice-presidente, três conselheiros, um representante do Conselho Consultivo e três membros independentes indicados pelo presidente.

A ideia de um Conselho de Administração "mais profissional" era para que a gestão, principalmente no departamento de futebol, se afastasse dos movimentos políticos são-paulinos, muitas vezes mais ligados ao clube social.

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Uma das propostas previa que todos os contratos e anexos com jogadores, comissões técnicas e intermediários seriam disponibilizados para análise do Conselho de Administração.

O grupo também seria responsável por comandar o setor de compliance, que hoje compõe a estrutura da diretoria administrativa, nomeada pelo presidente do clube.

A prestação de contas era outro objeto de alteração. Os resultados financeiros passariam a ser divulgados trimestralmente. O Conselho Fiscal seria obrigado a ter ao menos um integrante formado em Ciências Contábeis com inscrição regular no Conselho Regional de Contabilidade. Se nenhum dos cinco membros atender a esse requisito, o Conselho Deliberativo precisaria contratar uma empresa do ramo.

Outra mudança viria em decorrência da experiência de afastamento de Júlio Casares. Há um conflito entre dois artigos (112 e 58) sobre o quórum para destituição de um presidente.

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O artigo 58 indica 75% dos votos, enquanto o 112 fala em dois terços. Na reforma, passa a valer a última regra.

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