O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a renovação com a New Balance como fornecedora esportiva do time até 2032. Foram 227 votantes, do total de 253 eleitores possíveis. A aprovação ganhou por 135 (59,91%) a 91 votos (40,09%).
O Estadão apurou que o novo contrato pode chegar a R$ 400 milhões anuais ao longo do período de contrato — cerca de R$ 60 milhões por temporada. O acordo garante ao clube R$ 15 milhões de luvas, 28% de royalties e aproximadamente R$ 10 milhões de marketing e o enxoval de material esportivo.
O tema gerava atrito na política são-paulina. Parte dos conselheiros ainda era reticente quanto à renovação com a New Balance. Um grupo de oposição à gestão do presidente Harry Massis Jr. chegou a articular o adiamento da reunião. Eles argumentavam que há uma tentativa de submeter o Conselho à aprovação do novo contrato sem um debate mais amplo.
Opositores questionavam ainda o motivo de o São Paulo não aceitar a proposta da Penalty e temiam que o acordo pudesse beneficiar ex-diretores da gestão do ex-presidente Julio Casares.
Na reunião, Massis apontou que, em dois anos de parceria com a New Balance, houve um acréscimo de 113% do faturamento em relação aos cinco com a Adidas. Ainda segundo apontado pelo presidente, a norte-americana desenvolve uma linha mais diversa, com venda de uniformes de jogo, linha feminina e infantil.
Quanto ao prazo de seis anos, considerado extenso por opositores, ele citou os casos de Corinthians (10 anos com a Nike), Flamengo (cinco anos com a Adidas) e Palmeiras (nove anos com a Puma).
Ainda conforme exposto por Massis, os valores da Penalty não eram tão superiores aos da New Balance e não havia garantia de novas linhas de produtos, como as desenvolvidas pela New Balance.
A reunião que aprovou a renovação também debateu outros assuntos, todos aprovados. Foram colocados em pauta dois empréstimos e a renovação da cessão das marcas "São Paulo FC", "SAO" e a administração das lojas oficiais do clube para empresas subsidiárias da Volt Sports, empresa brasileira de artigos esportivos.
Ainda foi aprovado o patrocínio da Unicesumar, que vai estampar a marca nos calções de jogo e treino. Há uma previsão de R$ 7,75 milhões pelo acordo até dezembro de 2028.
A discussão sobre os temas aconteceu em um contexto de ano eleitoral no clube e amplia a tensão nos bastidores. Um possível candidato da oposição, o empresário Vinicius Pinotti, é alvo do Conselho de Ética por supostamente ter negociado e vazado áudios sobre esquema da venda irregular de camarotes no MorumBis. A semana também reserva uma votação na Comissão de Ética que pode selar a expulsão de Mara Casares e Douglas Schwartzman, envolvidos no escândalo.
Ao mesmo tempo, cresce o descontentamento de antigos aliados de Casares que se afastaram no fim da gestão, especialmente com a concentração de poder no departamento de futebol nas mãos do executivo Rui Costa, hoje sem a presença de um conselheiro na estrutura.