A oficialização de Rafinha como novo gerente esportivo do São Paulo, a partir desta terça-feira (27/1), altera o cenário interno do clube e pode ter reflexos diretos na continuidade do trabalho do técnico Hernán Crespo. O Tricolor soma apenas uma vitória em cinco jogos no Campeonato Paulista e convive com o risco real de rebaixamento.
Além do desempenho em campo, o treinador argentino passou a ser questionado internamente após declarações dadas na coletiva que sucedeu a derrota no clássico contra o Palmeiras. Afinal, ao defender o elenco, Crespo afirmou que os jogadores estariam há meses sem receber salários, discurso que gerou desconforto nos bastidores.
A diretoria tricolor rebateu a fala do treinador e sustentou que os salários estão em dia, com atraso apenas nos direitos de imagem. Rafinha, inclusive, afirmou que há um acordo encaminhado para a regularização da pendência ainda nesta semana.
Outro ponto de atrito surgiu quando Crespo declarou que o principal objetivo do São Paulo na temporada seria alcançar 45 pontos no Campeonato Brasileiro e evitar o rebaixamento. A avaliação acabou sendo considerada excessivamente conservadora pela nova gestão. No dia seguinte à final da Copinha, o presidente Harry Massis Júnior fez questão de se posicionar publicamente.
"Nós não vamos pensar em 45. Nós temos que subir mais, nossa… Temos que tentar uma classificação para a Libertadores. Tem o oitavo lugar, tem esse lugar assegurado. Então nós temos que pensar nisso. Ele (Crespo) foi muito modesto" afirmou Massis.
Chegada de Rafinha pode impactar na vida de Crespo no São Paulo
Aliás, Rafinha chega ao clube com a missão clara de mexer no ambiente interno, recuperar a confiança do elenco e mudar o tom do discurso no vestiário, justamente em um momento em que Crespo demonstra pessimismo em relação ao restante da temporada.
"O São Paulo tem que resgatar isso. Mas desse jeito, sem soberba, sem ficar achando que a história vai levar o São Paulo, não leva mais. Infelizmente, o São Paulo ficou parado. Eu estive lá três anos como atleta. Agora, também não é terra arrasada. Discurso de fracassado, de já entrar sofrendo, não cabe mais também. Isso aí também não vai acontecer. Não pode acontecer", disse Rafinha, no programa Seleção sportv.
Contudo, apesar da crise política e financeira, a avaliação interna é de que o time poderia apresentar um rendimento superior. Desde que assumiu o comando, em junho do ano passado, Crespo dirigiu o São Paulo em 37 partidas, com 14 vitórias, seis empates e 17 derrotas, alcançando um aproveitamento de 43%.
O treinador, por outro lado, entende que o elenco está aquém do necessário e revelou que esperava a chegada de seis reforços para 2026. Até o momento, o clube anunciou apenas três nomes: o goleiro Carlos Coronel, o zagueiro Dória e o volante Danielzinho.
Massis reconheceu a limitação financeira, afirmou que pretende manter negociações já em andamento, mas reforçou que a prioridade será aproveitar os jovens que se destacaram no vice-campeonato da Copinha.
Substituto começa a ganhar força
Assim, nesse contexto, o nome de Allan Barcellos ganhou força nos bastidores. Responsável pelo sub-20 e bem avaliado pelo trabalho de formação, o treinador passou a estar sendo visto como uma alternativa em caso de mudança no comando técnico. A pouca experiência no futebol profissional, porém, ainda gera dúvidas na diretoria sobre sua capacidade de lidar com a pressão do cargo.
Enquanto o cenário segue indefinido, o São Paulo tenta reagir dentro de campo. Além de buscar a permanência no Paulistão, o Tricolor estreia no Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira (28/1), diante do Flamengo, atual campeão nacional, às 21h30, no Morumbis.
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