Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, processa o clube e alega ter sido alvo de uma “trama política” em 2025. Expulso da instituição por gestão temerária, Casares se defende das acusações de irregularidades durante seu mandato, de 2021 a 2026.
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No processo, revelado pela ESPN, a defesa do ex-presidente pede para que seja reconhecida a ausência de gestão temerária; para que a aprovação das contas de 2021 a 2024 anule qualquer possível responsabilidade de Casares; e que a devolução dos valores pessoais gastos no cartão corporativo do clube seja considerada ausência de dolo ou culpa grave.
No dia 10 de setembro, o Conselho Deliberativo do São Paulo votou pela expulsão do ex-dirigente com base em investigações internas que apontaram gestão temerária ou irregular. Casares foi enquadrado no Artigo 34 do Estatuto Social do clube. A medida teve 224 votos a favor, dois contra e cinco abstenções no Conselho.
Segundo o relatório da Comissão de Ética, do relator Luiz Braga, foram constatados aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube. A documentação coletada, no entanto, não esclareceu totalmente a origem, a finalidade e o destino dos valores.
Na ação contra o São Paulo, Casares afirma que não lhe cabia esclarecer contabilmente a origem destes saques e que nunca foi questionado pelo então diretor de compliance do clube, Roberto Armelin.
Em cinco anos, R$ 11,05 milhões foram sacados das contas da instituição. Entre 2021 e 2024, foram R$ 9,3 milhões. Em 2025, R$ 1,7 milhão. De acordo com o ex-presidente, os valores representam “uma parcela pequena” do total movimentado pelo clube no período, e foram utilizados para pagamento de bicho (premiação) aos atletas, prestadores de serviço e despesas promocionais.
O valor foi monitorado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e tornou-se alvo de uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, que investigam Casares. Do todo, R$ 7 milhões ficaram sem destinação comprovada.
A Comissão de Ética ainda aponta para gastos no cartão corporativo do São Paulo, que teriam sido destinados a compras em estabelecimentos de luxo, restaurantes, charutaria, salões de beleza, despesas médicas e medicamentos pessoais, além de compras em petshops.
Segundo o ge, Casares gastou R$ 1 milhão no cartão do clube. Do total, somente pouco mais da metade (R$ 506,4 mil) foi reembolsado à instituição.