O balanço financeiro do São Paulo, apresentado nesta quarta-feira aos conselheiros, traz de volta o assunto de saques feitos pela presidência na gestão Júlio Casares. Dos R$ 11 milhões sacados e que levantaram suspeitas da Polícia Civil, apenas R$ 4 milhões têm justificativa declarada. A informação foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Estadão. Representantes de Casares foram procurados, mas não responderam até o momento. Se houver resposta, o texto será atualizado.
A quantia justificada é referente a gastos com arbitragem e pagamento de "bicho" a jogadores. Era isso que a defesa de Júlio Casares havia apontado em janeiro, quando as investigações se tornaram conhecidas publicamente.
Entretanto, a auditoria independente das contas aponta cerca de R$ 7 milhões no "fundo promocional da presidência", sem comprovação de finalidade. O trabalho de análise externa do balanço foi conduzido pela empresa RSM.
Os saques também são citados em relatório produzido por Paulo Affonseca de Barros Faria Neto, integrante do Conselho Fiscal do São Paulo. Ele recomendou a rejeição das contas do exercício de 2025.
Como argumento, Faria Neto menciona a observação feita pela auditoria independente sobre os R$ 7 milhões não discriminados nos saques da presidência. Ele diz que essa ressalva contraria o que a gestão Casares apontou como situação adequada do clube, com faturamento recorde de R$ 1 bilhão.
Há um grupo de conselheiros que já queria reprovar as contas de 2025 por se tratarem de uma "herança" de Casares. A gestão de Harry Massis Júnior busca a aprovação, com o entendimento de que a reprovação seria prejudicial ao São Paulo perante o mercado, dificultando possíveis negociações de patrocínios e empréstimos, por exemplo. Na primeira semana de abril, em outra reunião, conselheiros irão votar dois novos pedidos de crédito do clube.
Não é descartada uma aprovação com ressalvas, diante dos pontos apontados pela auditoria independente e o relatório de Faria Neto, do Conselho Fiscal. A votação vai até 17h desta quinta-feira, quando deve haver um resultado.