O Santos recebeu uma proposta de R$ 1 bilhão para a venda do controle do clube e se transformar em Sociedade Anônima de Futebol (SAF). A informação foi divulgada pela jornalista Ana Canhedo, do Globo Esporte.
O interessado é um fundo ligado à família Santo Domingo, uma das mais ricas da Colômbia e proprietária do grupo Valorem, que controla a TV Caracol e detém participação relevante na AB InBev.
A proposta apresentada ao Peixe tem interesse apenas pelo controle majoritário da SAF. Além disso, o grupo se compromete a assumir integralmente as dívidas do clube, que também podem alcançar a casa de R$ 1 bilhão.
Como a negociação não envolve a totalidade das ações, o modelo sugerido colocaria o valor de mercado do Santos acima dos R$ 2 bilhões, cifra considerada expressiva no cenário do futebol brasileiro.
O fundo de investimentos da família Santo Domingo está sediado em Miami e já possui experiência no esporte internacional. Além do envolvimento no futebol, o grupo é sócio minoritário do Washington Commanders, franquia da NFL.
A aproximação com o Santos ocorre após meses de análise de documentos financeiros e projeções do clube, trabalho iniciado em maio de 2025, quando a diretoria santista contratou a XP Investimentos para conduzir a avaliação de mercado e a prospecção de investidores. Esta é a primeira oferta oficial recebida desde então.
A oferta pode acelerar um processo que se arrasta há anos na Vila Belmiro, mas ainda esbarra em entraves estatutários.
Apesar do interesse e dos valores colocados à mesa, o negócio ainda vai contra o estatuto do Santos, que atualmente permite a venda de no máximo 49% do clube, impedindo a transferência do controle acionário. Para viabilizar a proposta, será necessária uma mudança estatutária, que precisa passar pelo Conselho Deliberativo e, posteriormente, ser aprovada pelos associados.
A estratégia da diretoria é discutir a alteração estatutária já com uma proposta concreta em mãos, deixando mais claras as condições do negócio antes da votação. Somente após essa eventual liberação é que a oferta poderá se tornar vinculante, abrindo espaço para negociações mais detalhadas sobre aportes anuais, governança e gestão esportiva.
Além disso, a proposta prevê cláusulas de proteção histórica, que vetam mudanças no nome, no hino, nas cores tradicionais do uniforme e até na localização do Santos. Representantes da família colombiana, inclusive, planejam visitar o Brasil nos próximos meses para conhecer de perto a estrutura do clube e aprofundar as conversas.