O Santos apresentou uma forte recuperação financeira em 2025, impulsionado por um aumento significativo nas receitas. De acordo com o balanço divulgado pelo clube, o total arrecadado chegou a R$ 678,5 milhões, valor que representa crescimento de quase 70% em relação a 2023, considerando períodos equivalentes na Série A do Brasileirão.
O avanço foi puxado principalmente pelas chamadas receitas recorrentes, que praticamente dobraram no intervalo de dois anos e passaram a ter peso maior na composição do faturamento. O cenário atual contrasta com o vivido recentemente pelo clube, marcado por instabilidade financeira e forte dependência da venda de jogadores.
A estrutura financeira também era vista como frágil, já que boa parte da arrecadação dependia de negociações de atletas, sem uma base sólida de receitas previsíveis.
Além do aumento no faturamento, o Santos evoluiu no aspecto operacional. O superávit antes do resultado financeiro passou de R$ 58,3 milhões em 2024 para R$ 104,8 milhões em 2025.
O clube apresenta crescimento, com maior diversificação de fontes e mais previsibilidade nas entradas, mas a dívida segue alta, de R$ 988 milhões. O déficit contábil é de R$ 79,3 milhões.
O presidente Marcelo Teixeira destacou o processo de reorganização e a mudança de cenário em relação ao momento da sua chegada ao clube.
"Assumimos o Santos em um cenário extremamente desafiador, com receitas comprometidas e pouca previsibilidade. O que vemos em 2025 é resultado de um trabalho focado na reorganização, no fortalecimento das receitas recorrentes e na recuperação da credibilidade do clube no mercado. Ainda há desafios, mas os números mostram que estamos no caminho certo para tornar o Santos financeiramente mais sólido e sustentável", afirmou.
Resultado acima do previsto e impacto do 'efeito Neymar'
Internamente, a diretoria avalia que o desempenho superou as projeções iniciais. O clube arrecadou cerca de 60% a mais do que o previsto para o período, com destaque para três frentes principais:
- Cotas de TV negociadas em valores superiores ao esperado;
- Transferências de atletas acima do orçamento inicial;
- Crescimento expressivo das receitas com sócios.
Neste último ponto, a chegada de Neymar teve papel relevante. O impacto da contratação foi sentido diretamente no engajamento da torcida e na adesão ao programa de associados, que gerou cerca de R$ 50 milhões ao longo do ano — mais que o dobro do previsto inicialmente.
O retorno do atacante elevou a visibilidade do clube nas redes sociais, ampliou o número de seguidores e ajudou a atrair novos patrocinadores, fatores que contribuíram para melhorar a negociação de contratos comerciais.
A atual gestão entende que o contraste com o passado recente é evidente. Quando assumiu o clube, em 2024, Marcelo Teixeira classificou a situação como a "pior da história" sob os pontos de vista financeiro e administrativo, em meio à disputa da Série B. Na sua gestão, o clube brigou novamente para não cair no ano passado e escapou da segunda divisão na última rodada.