O Palmeiras manifestou 'absoluta perplexidade' diante da denúncia formalizada contra o meia Maurício, por jogada violenta na partida contra o Vitória, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Caso seja julgado e punido, o camisa 18 do Alviverde Paulista poderá ser suspenso por até seis jogos.
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Na vitória por 4 a 0 no Barradão, em Salvador (BA), Maurício recebeu o cartão amarelo por entrada dura em Cacá, ainda no primeiro tempo. Pouco depois, o defensor do time baiano foi expulso por acertar um carrinho em Jhon Arias. O lateral Luan Cândido também recebeu o vermelho por gesto de roubo à arbitragem.
No posicionamento, o Palmeiras destacou a decisão do árbitro de campo Alex Gomes Stefano, amparada pelo VAR, em advertir Maurício: "Concluíram que a aplicação do cartão amarelo era suficiente. Se toda interpretação técnica da arbitragem for substituída, dias depois, pela convicção particular de um procurador, para quem servem o árbitro de campo e o VAR?", questionou o clube.
Na sequência, o Alviverde afirmou que a denúncia contra o meia demonstra 'ausência de critérios' no STJD, destacando que, na mesma rodada do Campeonato Brasileiro, os volantes Erick Pulgar, do Flamengo, e Raniele, do Corinthians, cometeram infrações similares à que gerou a ação contra o meia.
"Diferentemente do que fez com Maurício, no entanto, o STJD respeitou as decisões da arbitragem envolvendo os jogadores de Flamengo e Corinthians. Chegamos, assim, à inevitável pergunta: por que somente Mauricio será julgado?", questionou, mais uma vez, o Palmeiras.
"Não existe justiça quando infrações iguais recebem tratamentos distintos. A atuação da Procuradoria passa a impressão de que determinados episódios merecem atenção extraordinária enquanto outros podem ser ignorados", acrescentou o clube.
Ainda na publicação, o Palmeiras exibiu lances de falta sofridas por seus jogadores que, segundo o clube, também passaram 'incólumes perante' o STJD. Citando punições impostas ao treinador Abel Ferreira e aos jogadores Allan, Paulinho e Maurício, o time afirmou, ainda, 'a percepção de que faltam equilíbrio e isonomia nas condutas do Tribunal envolvendo' o clube.
"O Palmeiras sempre respeitou as instituições, mas exige respeito. Não aceitaremos calados que limites institucionais sejam extrapolados e que medidas descabidas prejudiquem o trabalho de excelência desenvolvido por nossos profissionais", finalizou o clube.
Entenda as denúncias do STJD no caso Vitória x Palmeiras:
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou quatro profissionais envolvidos no duelo entre Vitória e Palmeiras, no meio de semana, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. São eles o palmeirense Maurício e os rubro-negros Cacá e Luan Cândido, além de Fábio Mota, presidente do clube baiano.
O meia do Palmeiras foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), utilizado em casos de jogadas violentas. A suspensão prevista é de uma a seis partidas.
Apesar das diversas reclamações dos jogadores do Vitória, o árbitro Alex Gomes Stefano mostrou cartão amarelo para o palmeirense e o VAR não recomendou a revisão. O zagueiro levou cinco pontos no queixo após o duelo e despertou a ira dos dirigentes baianos, incluindo o presidente da equipe.
"Ainda bem que o Brasil viu o jogo. O Cacá levou cinco pontos no queixo, não foi por acaso, não foi por ser intencional, que foi o que os jogadores relataram sobre o que o árbitro disse. Isso desequilibrou a partida. Houve um desequilíbrio após a não expulsão pela agressão", disse Fábio Mota.
"Passamos por isso no ano passado contra o Flamengo. Estamos acostumados. Não quero vitimizar, mas é difícil fazer futebol no nordeste. Você tem investimento menor, viaja mais e tem de passar por isso. É lamentável".
Por essas declarações, o presidente do clube foi denunciado pelo artigo 258, que cita "conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva". O dirigente pode levar de 15 a 180 dias de suspensão.
Já o zagueiro Cacá, que participou do primeiro lance polêmico do embate com Maurício, também foi enquadrado no artigo 254. Ele recebeu o vermelho direto aos 34 minutos do primeiro tempo após entrada em Jhon Arias. Assim como o meia-atacante palmeirense, o defensor do clube baiano pode pegar até seis jogos de suspensão.
Enquanto Luan Cândido, que foi expulso após fazer o gesto de "roubo" com as mãos, foi enquadrado no artigo 243-F. Esse define ofensas à honra por fatos diretamente relacionados ao esporte. O lateral-esquerdo pode pegar quatro jogos de suspensão e ainda pagar uma multa de até R$ 100 mil.
Todas as decisões são de primeira instância e ainda cabe recurso por parte dos envolvidos. O Vitória também pode receber punição por não cumprir com os regulamentos, enquadrado no artigo 191. As audiências de todos os acusados estão agendadas para a manhã da próxima terça-feira, 4.
*Com informações de Estadão Conteúdo.