Futebol sul-americano ainda tem muito a evoluir fora de campo

A violência ainda é recorrente e ignorada. O cai-cai de goleiros e de outros atletas é insuportável e passa longe de punição

1 mai 2026 - 23h00
Foto: Cesar Greco/Palmeiras - Legenda: Cerro usou tática dos anos 80 para não perder para o Palmeiras / Jogada10

Durante décadas, a Libertadores da América era uma competição quase de várzea. Valia, assim, tudo para se chegar às vitórias e, consequentemente, aos títulos. Pancadaria, intimidação, chuva de objetos em campo, conivência do policiamento e, pior, arbitragens omissas e, muitas, agindo de má-fé.

Era uma verdadeira guerra vencer jogos fora de casa. Foram dezenas as batalhas campais, sobretudo em estádios argentinos e uruguaios. Não à toa, aqueles países acumulavam a maior quantidade de conquistas da principal competição continental. Fora de campo, os torcedores rivais recebiam emboscadas com frequência.

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Por esse pacote e uma certa soberba, os clubes brasileiros olhavam de maneira torta para a Libertadores. O interesse pelo torneio cresceu a partir dos anos 1980 e, de lá para cá, dominou o desejo dos torcedores. No entanto, a violência ainda é recorrente. Não custa lembrar que, na primeira conquista do Flamengo, alguns jogadores do Cobreloa teriam, no Chile, ido a campo com pedras nas mãos.

Futebol de falcatruas

É claro que hoje a situação é infinitamente melhor, mas ainda a anos-luz de se aproximar da Champions League, competição similar na Europa. O cai-cai de goleiros e de outros atletas é insuportável e passa longe de punição. Árbitros permissivos ignoram a violência em campo muitas vezes. Os descontos ao fim das partidas chegam a ser risíveis.

Agora, o Cerro Porteño (PAR) usou uma nova arma: encurtou a distância entre as laterais do gramado para enfrentar o Palmeiras. Algo inacreditável e inadmissível. Como resposta, a Conmebol vai passar a exigir que a medida do gramado seja informada antes do jogo e não possa mais ser alterada nas outras rodadas. Quanto rigor! Talvez o próximo passo para a falcatrua seja diminuir as medidas das balizas ou jogar com bolas mais leves, menores ou murchas. Repito aqui a pergunta do técnico Abel Ferreira sobre a artimanha do adversário: 'Em que século estamos?' E acrescento outra: Até quando, Conmebol?

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