A declaração de Abel Ferreira direcionada a Cerro Porteño x Palmeiras

20 ago 2026 - 00h35

Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre o Cerro Porteño, que garantiu a classificação do Palmeiras às quartas de final da Copa Libertadores da América. Ele desabafou sobre o clima que se criou às vésperas da partida, onde ela era vista como decisiva para determinar se a temporada foi um fracasso ou não.

Foto: ( Cesar Greco/Palmeiras/by Canon) / Gávea News

"Se tivéssemos perdido hoje, porque podíamos ter perdido hoje, porque no futebol ninguém tem certezas. O futebol é um jogo imprevisível. O futebol é um jogo incerto. O futebol é um jogo que nós não sabemos o que é que vai acontecer amanhã. O passado já foi. Ninguém diz: 'esta comissão, este grupo, em 5 anos, ganharam 11 títulos'. Não, ninguém quer saber disso. É o aqui ou agora. E o que eu disse aos meus jogadores, independentemente do que acontecer ali dentro, no final, se ganharmos ou perdermos, amanhã é para continuar a pedalar", disse.

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Abel continuou o desabafo falando sobre as complexidades que estão atreladas ao futebol, em paralelo com a vida, de modo geral. Ele disse que é preciso ter resiliência para superá-las e que tem passado esse recado aos seus jogadores.

"Na vida e no futebol, ela bate, ela é dura, o futebol está doente, mas há uma coisa que não podemos fazer, é nunca parar de pedalar. Aproveitar as descidas. Muitas vezes sabem o que é que acontece quando nós estamos, a gente para de pedalar e vai com o lance. Entendem? E aí nós não podemos parar de pedalar. Temos que pedalar sempre. E este é um grupo com muito talento, mas tem que juntar, não chega. Talento só não ganha jogos. Se talento só ganhasse jogos, o Brasil era campeão do mundo todas as vezes de 4 em 4 anos, porque talento tem de sobra. Não chega só o talento. É preciso juntar o esforço, é preciso juntar a química e a energia de criar um grupo e uma cultura vencedora", disse.

O treinador do Palmeiras defendeu que o elenco ainda está sendo desenvolvido e que muitas alterações foram feitas ao longo dos últimos anos. Mas que nesse processo tenta evitar que a exigência do futebol brasileiro os consuma.

"Este grupo não é o mesmo, isto é um grupo novo. O staff é o mesmo, a direção é a mesma, o treinador é o mesmo, mas o grupo é um grupo que está a aprender o que é representar e jogar no Palmeiras e o que é representar e jogar no futebol brasileiro. O que eu lhes digo a ele é, se vocês não prestarem atenção, nós vamos ser contaminados por essa doença, por esse vírus que anda aí espalhado por todo o lado. E o futebol hoje é muito mais mental do que técnico ou tático.

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Por fim, ele analisou que o contexto em que o futebol está inserido na atualidade é 'doentio'. Abel relatou que a exigência pelas vitórias constantes faz com que não existam méritos em campanhas que não sejam aquelas que terminam em títulos.

"O futebol mundial, a forma como nós andamos a ver o futebol, é doentia. Se eu não for o melhor aluno na escola, se eu não for a melhor empresa, se eu não for o melhor advogado, se eu não for, se eu não der o retorno à minha empresa, se eu ficar em segundo, o meu esforço todo que eu fiz não é valorizado? O fato de eu estar a chegar a competir sempre e por perder, isso faz de mim um perdedor? Não. Perdedor é aquele que desiste. Esse é um perdedor. O campeão é aquele que jamais para de pedalar. E é isso que eu vou dizer aos meus jogadores", finalizou.'

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