O clima de tensão dentro da equipe Aspar na Moto2 levou Jorge Martínez “Aspar” a intervir publicamente no conflito entre seus pilotos David Alonso e Dani Holgado. Após as fortes declarações do colombiano contra o companheiro de equipe, o dirigente afirmou que considera as críticas exageradas e revelou que pretende ter conversas individuais para evitar que a rivalidade continue afetando o ambiente e o desempenho nas pistas. Aspar também não descartou medidas mais severas caso a situação não seja controlada nas próximas etapas da temporada.
A polêmica ganhou força na chegada a Phillip Island, depois do incidente envolvendo os dois pilotos na primeira curva do GP da Indonésia. Na ocasião, Holgado tocou a roda traseira da moto de Alonso, provocando a queda de ambos. O acidente encerrou a participação do colombiano na etapa, pelos danos sofridos na moto, que impediram seu retorno à corrida após a bandeira vermelha.
Alonso também sofreu uma contusão pulmonar, mas se recuperou a tempo de disputar a etapa australiana. Já Holgado conseguiu retornar à prova e terminou na terceira colocação, sem receber punição dos comissários pelo incidente.
A situação provocou uma reação de seu companheiro de equipe. Em entrevista à DAZN, o piloto deixou claro que o problema com Holgado vai além dos incidentes na pista e afirmou que a relação entre os dois está praticamente rompida.
“Quando alguém não é uma boa pessoa, não há nada que se possa fazer." declarou o colombiano, acrescentando que não existe mais relacionamento entre eles dentro da equipe e que há questões anteriores ao acidente na Indonésia.
As declarações chamaram a atenção de Aspar, que reconheceu a existência de um histórico de desentendimentos entre os companheiros, mas considerou inadequada a forma como Alonso expôs a situação publicamente. Segundo o dirigente, Holgado já havia se envolvido em três incidentes com o colombiano ao longo das duas últimas temporadas, e o acúmulo de frustrações pode ter contribuído para a reação do piloto.
“ As declarações de David me pareceram um pouco fora de lugar. Nestes dois anos, Dani teve três contatos com ele, derrubou-o três vezes, e evidentemente acredito que seja uma explosão de alguém que está muito irritado, que quer terminar bem o ano, mas que, por uma razão ou outra, vê as coisas não acontecerem como gostaria.” explicou
O dirigente também procurou separar o conflito pessoal entre os pilotos da situação geral da equipe. Para ele, o problema está concentrado na relação entre Alonso e Holgado, e não na estrutura da escuderia. Aspar argumentou que rivalidades entre competidores de alto nível são comuns no motociclismo, especialmente quando dois pilotos com ambições semelhantes dividem o mesmo box.
“Quando você tem dois bons pilotos, dois vencedores, essas coisas sempre acontecem. Quando eu competia, passei por situações semelhantes com vários companheiros. Quando há dois pilotos fortes, esses atritos acabam acontecendo.” afirmou o espanhol, que garantiu que o funcionamento da equipe permanece estável apesar do desgaste
Porém, gravidade da situação já havia exigido medidas internas. Aspar revelou que a equipe chegou a separar Alonso e Holgado nos caminhões utilizados durante os deslocamentos do campeonato e também providenciou acomodações separadas. Segundo ele, os desentendimentos se acumularam ao longo do tempo, até que o episódio na Indonésia acabou intensificando uma relação que já estava desgastada.
O chefe da escuderia pretende conversar individualmente com cada piloto, sem tentar forçar uma reconciliação pessoal. Na avaliação de Aspar, não é necessário que os dois se tornem amigos, mas é fundamental que consigam manter uma convivência profissional e evitem que os problemas fora da pista tenham consequências durante as corridas.
“Vou me sentar com os dois, separadamente. Vou dar uma chamada de atenção em cada um, porque eles merecem. Acredito que são dois grandes pilotos e duas grandes pessoas, mas isso passou dos limites”, declarou.
Aspar também admitiu a possibilidade de aplicar sanções caso algum dos competidores volte a ultrapassar os limites estabelecidos pela equipe. Questionado sobre a chance de precisar mostrar uma “cartão vermelho”, em referência a uma punição mais severa, o dirigente afirmou que espera não chegar a esse ponto, mas deixou claro que poderá agir se considerar necessário.