A MotoGP passará a aplicar punições esportivas a pilotos que descumprirem compromissos promocionais obrigatórios durante os fins de semana de Grande Prêmio. As novas regras, comunicadas às equipes nesta sexta-feira (23), durante o GP da Austrália, ampliam as sanções já previstas e permitem que as consequências ultrapassem as multas financeiras, afetando diretamente a participação dos competidores na pista.
Segundo informações publicadas pelo portal The Race, o regulamento estabelece uma escala progressiva de punições para ausências em atividades oficiais. Em casos de reincidência, os pilotos poderão perder tempo em sessões de treino e até sofrer penalidades no grid de largada.
A medida tem como objetivo garantir o cumprimento dos compromissos da categoria com os torcedores, patrocinadores e organizadores dos eventos. O documento enviado às equipes aponta que a repetição de casos de descumprimento tornou necessário estabelecer um procedimento claro de sanções.
Punições passam a afetar o desempenho na pista
A escala começa com uma advertência oficial na primeira infração. Na segunda ocorrência, o piloto recebe uma multa de € 5 mil. O valor aumenta para € 10 mil na terceira infração e chega a € 15 mil na quarta, quando o caso também é encaminhado aos comissários da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) para uma advertência formal.
A partir da quinta ocorrência, a punição poderá incluir a perda de tempo em uma sessão de treino. Na sexta infração, os comissários poderão aplicar uma penalidade no grid de largada. Entre as atividades obrigatórias estão a entrevista coletiva de quinta-feira, as ações promocionais anteriores à corrida, o desfile dos pilotos na manhã de domingo e a participação de dez minutos em sessões de autógrafos ou no Hero Walk, evento de interação com os fãs.
As regras também consideram o atraso e a saída antecipada como descumprimento da obrigação de comparecer. As exceções incluem situações de lesão, necessidade de atendimento médico e compromissos promocionais previamente assumidos com as equipes.
Caso Márquez está no centro da discussão
A mudança ocorre após o episódio envolvendo Marc Márquez no GP do Japão, em Motegi, no início deste mês. O atual campeão mundial se recusou a participar de uma corrida de kart realizada na manhã de domingo e chegou a enviar um sósia em seu lugar. A substituição foi descoberta, e o piloto recebeu uma repreensão dos responsáveis pelo campeonato.
Após o episódio, Márquez afirmou compreender a importância das ações promocionais para o crescimento da categoria, mas defendeu que a prioridade dos competidores deve continuar sendo o desempenho nas corridas.
O espanhol também explicou que precisava aplicar gelo no ombro direito lesionado após o aquecimento e argumentou que os pilotos precisam concentrar seus esforços na disputa esportiva. O caso expôs o conflito entre as exigências comerciais da MotoGP e as necessidades dos atletas, que precisam administrar a preparação física, a recuperação de lesões e a concentração durante os fins de semana de competição.
Mudanças para 2027 ampliam espaço para ações promocionais
As novas sanções também chegam em um momento de transformação na programação da MotoGP. A partir de 2027, o treino de aquecimento realizado na manhã de domingo será retirado da programação, abrindo espaço para ampliar as atividades promocionais e de interação com o público.
No GP da Austrália deste fim de semana, em Phillip Island, os pilotos devem participar de um desfile com pequenos veículos elétricos, reforçando a presença de ações de entretenimento durante os eventos. A estratégia acompanha a crescente valorização comercial da categoria, especialmente após a entrada da Liberty Media, empresa também responsável pela Fórmula 1, no controle da MotoGP.
Com as novas regras, a ausência em compromissos promocionais deixa de representar apenas um problema administrativo ou financeiro. Para os pilotos que acumularem infrações, o descumprimento poderá resultar em sanções capazes de afetar diretamente os treinos e as posições de largada.