O piloto italiano Fabio Di Giannantonio, da equipe VR46 Ducati, lamentou a decisão de retirar o circuito de Phillip Island do calendário da MotoGP e afirmou que a tradicional pista australiana deveria ser considerada intocável pela categoria. O GP da Austrália de 2026 marca a despedida do circuito como sede da competição, antes da transferência da prova para um circuito de rua em Adelaide a partir de 2027.
Presente no calendário há mais de três décadas, Phillip Island conquistou um lugar especial entre pilotos e fãs por seu traçado rápido e fluido, suas curvas desafiadoras e pela paisagem característica à beira-mar. Para Di Giannantonio, a perda representa muito mais do que uma simples mudança de local. O italiano tem uma ligação especial com o circuito, onde conquistou seu primeiro pódio na categoria principal, em 2023, resultado importante para a continuidade de sua carreira.
“Eu choro todos os dias. É a pista mais bonita do mundo, e o fato de terem tirado isso de nós é de partir o coração.” declarou o piloto aos jornalistas
Di Giannantonio reconheceu que a organização busca promover melhorias para o campeonato, mas deixou clara sua posição contrária à decisão.
“Espero que todas essas considerações sejam para melhorar o esporte, embora, para mim, esta fosse a pista em que não deveriam ter mexido.”
O italiano também destacou o caráter histórico do circuito, comparando sua importância para a MotoGP à de Mônaco para a Fórmula 1, referência que, segundo ele, já havia sido feita pelo australiano Casey Stoner, bicampeão mundial da categoria. Para Di Giannantonio, Phillip Island é uma pista icônica, cuja presença deveria ser preservada. Por isso, pretende aproveitar cada momento da última passagem pelo traçado, consciente de que esta poderá ser a última oportunidade de competir ali.
A mudança para Adelaide faz parte de uma estratégia de expansão, que busca aproximar as corridas dos grandes centros urbanos e ampliar o público do campeonato. A proposta de realizar a prova em um circuito de rua foi bem recebida por outros pilotos, mas ainda assim, a saída de Phillip Island reacende o debate sobre o equilíbrio entre crescimento comercial e preservação da tradição do motociclismo.
O desafio é encontrar uma maneira de desenvolver a competição sem abrir mão de pistas que ajudaram a construir sua identidade. Circuitos como Jerez, Le Mans e Mugello são exemplos de locais que mantêm forte ligação com a história da MotoGP e atraem grandes públicos. Phillip Island, apesar das dificuldades de acesso relacionadas à sua localização, também possui esse status especial entre os pilotos e os admiradores do esporte.
Outro aspecto que aumenta a controvérsia é o peso dos interesses políticos e comerciais envolvidos na decisão. A iniciativa do governo da Austrália do Sul de levar a MotoGP para Adelaide ofereceu à categoria uma oportunidade de estabelecer a corrida em um novo ambiente urbano. Entretanto, a proposta também enfrenta questionamentos, e eventuais obstáculos ao projeto poderiam tornar ainda mais controversa a saída de Phillip Island.
A preocupação é que o sucesso de Adelaide possa incentivar a substituição de outros circuitos tradicionais por novas provas em centros urbanos, seguindo uma tendência observada na Fórmula 1. Para os defensores da preservação histórica, o crescimento da MotoGP não deveria depender necessariamente da retirada de pistas consagradas.