Jiu-jítsu brasileiro amplia presença nos Estados Unidos e abre espaço para atletas e treinadores

Equipes de origem brasileira seguem entre as principais forças lá fora.

12 out 2026 - 19h17
(atualizado às 19h18)
Resumo
O jiu-jítsu brasileiro vive forte expansão nos EUA, superando 6,7 mil academias e dominando os principais torneios. Esse cenário impulsiona profissionais como o faixa-preta gaúcho Thiago Saldanha Dalcol, que consolidou carreira internacional no país com títulos de peso, incluindo o American Nationals. Hoje em Nova York, o atleta lidera a equipe da Renzo Gracie, forma novos competidores e capacita agentes de segurança pública norte-americanos em defesa pessoal com base na arte marcial.
Thiago Saldanha Dalcol
Thiago Saldanha Dalcol
Foto: Acervo pessoal | Divulgação / Esporte News Mundo

Nascido no Brasil e transformado em produto esportivo global, o jiu-jítsu mantém nos Estados Unidos um de seus principais mercados fora do país. Um levantamento realizado em 2026 pelo Jiu Jitsu Spot identificou mais de 6,7 mil academias da modalidade em território norte-americano, espalhadas por grandes centros e cidades médias.

Outro banco de dados, o OpenMapp, acompanha 1.366 academias norte-americanas com endereço e programação semanal confirmados. Em algumas regiões, a concentração já supera 20 academias para cada milhão de habitantes.

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A influência brasileira aparece também nas competições. No American National da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) de 2026, as quatro primeiras posições entre as equipes ficaram com Gracie Barra, Carlson Gracie Team, CheckMat e Alliance — organizações diretamente ligadas à expansão internacional do jiu-jítsu desenvolvido no Brasil.

A própria IBJJF reúne atualmente mais de 10 mil academias cadastradas em diferentes países, sinal da dimensão alcançada pela modalidade fora de seu mercado de origem.

É dentro desse movimento que se encaixa a trajetória de Thiago Saldanha Dalcol. Natural de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, o brasileiro saiu do circuito nacional, passou por São Paulo e chegou aos Estados Unidos combinando competição, preparação de atletas e atuação técnica em academias de Nova York.

Formado em Educação Física no fim de 2016, Thiago passou a combinar o trabalho nos tatames com conhecimentos ligados ao movimento humano e à preparação esportiva.

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"Meu nome é Thiago Saldanha, sou natural de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. Me formei em Educação Física no final de 2016", conta o atleta.

A mudança para São Paulo representou uma virada na carreira. Na capital paulista, Thiago passou a treinar com a Ryan Gracie São Paulo e ampliou o nível de competição. Ainda como faixa-marrom, conquistou resultados em alguns dos principais torneios do calendário nacional e continental.

"Em busca de voos mais altos na minha carreira, me mudei para São Paulo, onde treinei na tradicional equipe Ryan Gracie São Paulo", afirma.

Foi nesse período que vieram títulos como Campeonato Brasileiro, Sul-Brasileiro, Sul-Americano e BJJ Pro São Paulo.

"Na minha trajetória de faixa-marrom, conquistei títulos importantes como campeão brasileiro, sul-brasileiro, sul-americano e do BJJ Pro São Paulo", relata Thiago.

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Em 2019, também em São Paulo, recebeu a faixa-preta.

"Foi lá também que, em 2019, conquistei minha faixa-preta", recorda.

No-gi ganha espaço na carreira

Com a evolução competitiva, Thiago passou a dedicar cada vez mais espaço ao jiu-jítsu sem kimono, o no-gi. A modalidade se tornou uma das principais frentes de sua atuação e abriu caminho para participações em competições internacionais.

Segundo as informações apresentadas pelo atleta, ele chegou a figurar entre os dez melhores do mundo no ranking oficial da IBJJF na categoria adulto faixa-preta até 94 quilos.

Seu histórico nos Estados Unidos inclui seis medalhas de ouro em competições internacionais, além do título absoluto do American Nationals de 2022 e da medalha de prata no Campeonato Pan-Americano do mesmo ano.

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Esses resultados marcaram uma fase de consolidação fora do Brasil e ajudaram a ampliar a presença do atleta em um dos mercados mais competitivos do jiu-jítsu mundial.

De competidor a responsável por equipe

Hoje, a carreira de Thiago não se limita à própria participação em campeonatos. Ele é responsável pela equipe de competição da Renzo Gracie New York, em Manhattan, e também atua na Strategic Academy.

"Sou responsável pela equipe de competição da lendária Renzo Gracie New York, em Manhattan", afirma. "Treino artes marciais na Strategic Academy, uma das principais academias da região."

A função acrescentou outra dimensão à trajetória. Além da própria preparação, Thiago participa do desenvolvimento técnico de outros praticantes e competidores, levando para a rotina de academia a experiência acumulada em anos de campeonatos no Brasil e nos Estados Unidos.

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Nos últimos anos, parte desse conhecimento passou a ser utilizada fora do ambiente estritamente esportivo.

Thiago relata trabalhos voltados ao ensino de defesa pessoal para profissionais da segurança pública norte-americana, incluindo veteranos militares, policiais e agentes de unidades prisionais de alta segurança.

"Venho trabalhando no desenvolvimento de técnicas desde que cheguei aos Estados Unidos, utilizando o jiu-jítsu como base", explica.

A proposta é adaptar fundamentos da modalidade para situações que exigem controle corporal, defesa pessoal e domínio técnico em contextos diferentes das competições.

"Também levei esse conhecimento para além do ambiente competitivo, ensinando defesa pessoal a diferentes segmentos da segurança pública norte-americana", diz.

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Por Flávio Perez

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