Nicolas Bamba, da RFI
Era previsível, ou quase. Com o talento de Lionel Messi, os limites parecem não existir, e os recordes estão sempre ameaçados. A marca estabelecida por Miroslav Klose em 8 de julho de 2014, durante o histórico Alemanha x Brasil, finalmente caiu neste 22 de junho de 2026. Ficaram para trás os 16 gols do alemão.
Com dois gols na vitória da Argentina sobre a Áustria, pela segunda rodada da fase de grupos, Messi se tornou o maior goleador isolado da história das Copas.
Após o hat-trick na estreia contra a Argélia, no dia 16 de junho, bastava um gol diante dos austríacos, em Arlington, para que o camisa 10 alcançasse o recorde.
O início, porém, foi difícil: pênalti desperdiçado logo aos 9 minutos. A frustração durou pouco. Aos 38, Messi aproveitou uma bola solta na área e empatou a marca histórica. Já nos acréscimos, insistente até o fim, garantiu o recorde absoluto ao marcar o segundo gol (90+5).
Messi: uma história que atravessa gerações
Disputando sua sexta, e muito provavelmente última, Copa do Mundo, Messi consolida uma trajetória impressionante. Em 2006, ainda com 19 anos, marcou pela primeira vez. Em 2010, na África do Sul sob comando de Diego Maradona, passou em branco. Em 2014, chegou à final (derrota para a Alemanha) e fez quatro gols. Em 2018, marcou apenas uma vez. Já em 2022, quando foi campeão no Catar, balançou as redes sete vezes.
Agora, somando o hat-trick contra a Argélia e os dois gols diante da Áustria neste Mundial de 2026, Messi atinge 18 gols em 28 partidas de Copa. Ele ultrapassa Miroslav Klose (16 gols em 24 jogos) e o brasileiro Ronaldo (15 gols em 19 partidas).
Com a classificação da Argentina assegurada para as oitavas de final antes mesmo do último jogo do Grupo J, contra a Jordânia em 27 de junho, o atacante do Inter Miami ainda terá oportunidades para ampliar sua marca. Prestes a completar 39 anos no dia 24 de junho, o oito vezes vencedor da Bola de Ouro mostra que ainda pode ir além, embora precise ficar atento à concorrência.
Mbappé na perseguição, Kane na espreita
Se não precisa mais se preocupar com Klose ou Ronaldo, já aposentados, Messi pode ver Kylian Mbappé encostar nesta Copa. Aos 27 anos, o francês mantém um ritmo impressionante: quatro gols no título de 2018, oito na edição de 2022 (perdida justamente para a Argentina), e já balançou as redes duas vezes na estreia da França contra Senegal neste Mundial.
Com 14 gols em apenas 15 jogos de Copa do Mundo, Mbappé já iguala o alemão Gerd Müller e aparece logo atrás do trio Messi-Klose-Ronaldo. Se mantiver o desempenho, pode ameaçar o novo recorde, ou até superá-lo no futuro.
Outro nome a ser observado é Harry Kane. O inglês soma 10 gols em 12 partidas de Copa: seis em 2018, dois em 2022 e dois na estreia contra a Croácia (vitória por 4 a 2, em 17 de junho). Para alcançar o topo, precisará manter altíssimo nível, mas credenciais não faltam: Kane brilhou na temporada 2025-2026 pelo Bayern de Munique, com impressionantes 61 gols em 51 jogos, garantindo a Chuteira de Ouro europeia.
O recorde agora é de Messi, mas a disputa pelo recorde histórico ainda está longe de acabar.