A vice-presidente do Comitê Olímpico Venezuelano, Alejandra Benítez, reagiu de forma dura à ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Ex-ministra do Esporte e uma das atletas olímpicas mais reconhecidas do país, a esgrimista classificou o episódio como uma "desgraça" ao comentar os bombardeios e a captura do presidente Nicolás Maduro.
Alejandra não estava em Caracas no momento do ataque. Ela deixou a capital venezuelana na noite anterior para viajar a Bogotá, na Colômbia, onde acompanha jovens atletas na Copa do Mundo de Sabre, atuando como treinadora. Segundo a dirigente, toda a sua família permaneceu na capital venezuelana enquanto ela estava fora do país por compromissos esportivos.
Em mensagens enviadas à imprensa e publicações nas redes sociais, Benítez demonstrou preocupação com a situação vivida no país e indignação com venezuelanos que, segundo ela, estariam celebrando os acontecimentos. A dirigente afirmou que esse tipo de postura é inadmissível diante do impacto humano e social causado pelos ataques.
Alejandra Benítez tem trajetória marcante tanto no esporte quanto na política. Ex-esgrimista da seleção venezuelana, disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos — Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 — e conquistou três medalhas de prata em Jogos Pan-Americanos, além de pódios em campeonatos continentais. Nos Jogos do Rio, chegou a se posicionar politicamente ao comentar o cenário brasileiro à época da cerimônia de abertura.
No campo político, assumiu o Ministério do Esporte da Venezuela em 2013, já durante o governo de Nicolás Maduro, permanecendo cerca de um ano no cargo. Sua passagem foi marcada por denúncias de corrupção e conflitos internos. Desde 2022, ocupa uma das vice-presidências do Comitê Olímpico Venezuelano, mantendo influência relevante no esporte do país.
Neste sábado, horas após a ofensiva americana, Alejandra também compartilhou em suas redes sociais uma publicação do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre o episódio, reforçando sua posição crítica ao ataque e demonstrando alinhamento com manifestações contrárias à ação militar.