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Jogos de Inverno impulsionam turismo em Milão no ano da melhor campanha olímpica do Brasil

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina se encerram neste domingo (22), enquanto já cresce a expectativa para os Jogos Paralímpicos, que começam em 6 de março. O Brasil faz uma campanha histórica, conquistando a primeira medalha da América do Sul e figurando no top 20 do quadro parcial de medalhas.

20 fev 2026 - 10h02

Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão

Emílio Strapasson, chefe de missão nos Jogos de Milão-Cortina
Emílio Strapasson, chefe de missão nos Jogos de Milão-Cortina
Foto: © Jonne Roriz/COB / RFI

Segundo um balanço preliminar da prefeitura de Milão, apenas a cidade recebeu entre 400 e 500 mil turistas a mais do que o normal durante o período olímpico. A região da Lombardia informou que, entre os espectadores estrangeiros em Milão, a maior parte veio dos Estados Unidos (24,4%). Em seguida aparecem Holanda (10,3%) e Alemanha (11,4%).

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O esporte com mais ingressos vendidos em Milão foi o speed skating (95%). Já em Bórmio, uma das seis cidades que receberam os esportes de montanha, o skimo teve ingressos esgotados.

No quadro de medalhas, que ainda não está fechado, a Noruega lidera com folga. São 34 medalhas no total: 16 de ouro, oito de prata e dez de bronze. Estados Unidos e Itália aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, em uma disputa acirrada. Ainda há competições importantes até domingo, como freestyle ski, speed skating e a final masculina do hóquei no gelo. Por isso, o resultado final ainda pode mudar.

 A cerimônia de encerramento, no domingo (22) acontecerá em Verona - uma escolha que representa a proposta destes Jogos de distribuir as competições entre diferentes cidades.

O evento será realizado na icônica Arena de Verona, do século I, um dos anfiteatros romanos mais bem preservados do mundo e ainda em uso. Hoje, o local recebe óperas e grandes shows musicais. Os ingressos para o encerramento custam entre 950 e 2.500 euros. Já os pacotes VIP chegam a 8 mil euros.

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O tema da cerimônia será "Beleza em Ação". Entre os protagonistas estão o cantor italiano Achille Lauro e o bailarino Roberto Bolle, considerado um dos maiores nomes do balé clássico mundial.

Brasil encerra Jogos com resultado histórico

A medalha de ouro do esquiador Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, não foi apenas a primeira medalha brasileira, mas também a primeira da América do Sul em Olimpíadas de Inverno.

Para o Comitê Olímpico do Brasil, os Jogos de Milão-Cortina representam um marco para a história dos esportes de inverno no país. Os brasileiros disputaram 18 provas, uma quantidade recorde. Pela primeira vez, quatro atletas terminaram no top 20 - resultado que ainda pode ser melhorado. A equipe de bobsled compete novamente no fim de semana.

Em coletiva em Milão, nesta quinta-feira (19), o presidente do COB, Marco La Porta, disse que o comitê já vem sendo procurado por brasileiros interessados em se dedicar aos esportes de inverno.

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"A gente fica muito feliz não só pela medalha, mas pelo significado que ela traz, o quanto pode servir de inspiração. O grande desafio que as duas confederações têm [da neve e do gelo] com o COB é como agora administrar esse sucesso", afirmou.

O atleta de snowboard Pat Burgener, que terminou em 14º lugar no halfpipe, destacou à RFI que o apoio do povo brasileiro foi fundamental nesse processo: "Me ajudou a ficar positivo e acreditar que essas Olimpíadas são muito mais que o resultado. Eu não tive o resultado que eu queria, mas a jornada foi incrível. Com o resultado de todos os atletas, mostramos que, sim, somos um país que pode fazer muitas coisas".

O aumento da visibilidade dos esportes de inverno no Brasil já é significativo. O Instagram do Time Brasil registrou o maior número de visualizações entre todas as equipes participantes destes Jogos, à frente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Focar nas redes sociais foi uma estratégia do COB que trouxe resultados, como ressaltou a Diretora de Marketing Manoela Penna à RFI.

"A gente teve 325 milhões de visualizações esse ano, [que] é quase o que a gente teve o ano passado inteiro. Então, realmente foi um impacto muito forte nas redes para a gente passar nossa mensagem, nossa marca, e o valor dos nossos atletas também. A gente tenta levar os diversos tipos de estímulos para um público diverso, não só para quem já é fã de esporte", afirmou.

Essa participação histórica do Brasil também será eternizada no Museu do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, na Suíça. O COB doou o traje usado por Lucas Pinheiro Braathen na cerimônia de abertura: uma jaqueta da marca Moncler, com a bandeira brasileira na parte interna.

Expectativa para os Jogos Paralímpicos de Inverno

Encerrando os Jogos Olímpicos, agora a atenção se volta para os Jogos Paralímpicos de Inverno, que acontecem entre 6 e 15 de março. Ao todo, serão cerca de 665 atletas participantes, disputando 79 medalhas, em modalidades como para hóquei no gelo, curling em cadeira de rodas, para esqui alpino e para snowboard.

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Esta edição é especial, pois marca os 50 anos dos Jogos Paralímpicos de Inverno. A cerimônia de abertura, no dia 6, também será realizada na Arena de Verona.

A competição, no entanto, já começa em meio a uma polêmica. Nesta semana, o Comitê Paralímpico Internacional autorizou que dez atletas da Rússia e de Belarus compitam sob suas bandeiras nacionais. A participação com as bandeiras russa e bielorrussa estava proibida desde a invasão à Ucrânia, em 2022. Até então, esses atletas competiam como neutros. Em resposta, a Ucrânia anunciou que vai boicotar a cerimônia de abertura.

Brasil busca medalha inédita nos Jogos Paralímpicos

Será a quarta participação brasileira em Jogos Paralímpicos de Inverno. Em busca da medalha inédita, o Brasil contará com uma delegação recorde, com oito atletas. Na última edição, em Pequim, em 2022, foram seis. Os brasileiros disputam provas de para esqui cross-country e para snowboard.

O país chega com expectativas reais. Quatro atletas estão entre os 30 melhores no ranking global de esqui cross-country paralímpico para atletas cadeirantes ou com deficiência nas pernas. Um dos destaques é Cristian Ribera, atual número um no ranking mundial. Ele detém o melhor resultado do Brasil na história dos Jogos Paralímpicos de Inverno. Em 2018, em PyeongChang, terminou em sexto lugar na prova de 15 quilômetros do esqui cross-country.

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Outro nome de destaque é Aline Rocha, atualmente sexta colocada no ranking geral. Em 2018, ela foi a primeira mulher brasileira a disputar uma Paralimpíada de Inverno.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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