A repescagem intercontinental terá um confronto que anima os fãs do futebol alternativo. Na madrugada de quinta-feira (26) para sexta (27), à meia-noite, em Guadalajara, Nova Caledônia e Jamaica se enfrentam pela semifinal do torneio. Quem avançar encara a República Democrática do Congo, na outra terça (31), para decidir uma vaga na Copa.
De um lado, a seleção do território ultramarino francês tenta uma façanha histórica e inédita para o continente. Já do outro, a equipe do Caribe quer superar as decepções recentes para retornar à Copa do Mundo. O Jogada10 preparou um material especial trazendo curiosidades e os destaques das duas seleções.
Nova Caledônia
A seleção da Oceania tenta o feito inédito de conseguir uma vaga para a Copa do Mundo. Atualmente na 150ª posição do ranking da Fifa, a Nova Caledônia é a segunda mais bem colocada do continente e conquistou sua vaga para a repescagem ao ficar na segunda colocação na repescagem.
Entretanto, apesar de ter o seu melhor desempenho nas Eliminatórias, os Cagous não tiveram um ciclo tranquilo. Por conta dos protestos no território, em 2024, a seleção desistiu de participar da Copa das Nações da Oceania e ficou quase um ano sem entrar em campo. Ainda em 2023, a Nova Caledônia ficou com o vice-campeonato da Copa da Melanésia e levou a medalha de ouro nos Jogos do Pacífico.
Todavia, nas Eliminatórias, mesmo com o tempo parado, a seleção conseguiu ter um bom desempenho. Na primeira fase, a Nova Caledônia venceu Papua Nova-Guiné e Ilhas Salomão e empatou com Fiji. Na semifinal, venceu o Taiti por 3 a 0 e garantiu, no mínimo, a vaga na repescagem. Na decisão, contra a Nova Zelândia, a seleção conseguiu fazer um bom trabalho defensivo e segurou os All Whites por mais de 60 minutos. Porém, não teve jeito e o favoritos, com o triunfo por 3 a 0 , ficaram com a vaga direta na Copa, levando os Cagous para o México.
O destaque
Para a repescagem, a Nova Caledônia conta com o reforço do meia Angelo Fulgini, que conseguiu alterar sua cidadania recentemente. Entretanto, nos últimos anos, o destaque da seleção é o atacante Georges Gope-Fenepej. O jogador de 37 anos é o maior artilheiro em atividade da equipe, com 18 gols marcados em 26 partidas e está a cinco de Bertrand Kaï, que lidera a lista.
Fenepej começou sua carreira em 2006, atuando no território, pelo AS Kirikitr. Depois de cinco anos, se transferiu para o Magenda, um dos maiores clubes do futebol local, e recebeu sua primeira convocação para a seleção. Em 2012, recebeu uma grande oportunidade atuar no Troyes, da França, e chegou a disputar partidas pela Ligue 1. Depois disso, o atacante ainda passou por Amiens, Le Mans e atualmente defende o Saint-Colomban Locminé, da quarta divisão francesa.
Na campanha das Eliminatórias, Fenepej se destacou. O atacante, que voltou a defender os Gagous neste ciclo, anotou três gols no torneio, sendo dois golaços na semifinal contra o Taiti. Com isso, o jogador é um dos grandes responsavéis pela Nova Caledônia seguir sonhando com uma vaga na Copa.
O comandante
Aos 48 anos, Johann Sidanner tem o maior desafio da sua carreira. O francês comanda a seleção desde 2022 e está apenas no seu terceiro trabalho. O treinador começou no mundo do futebol no Vortou, da quinta divisão francesa, onde permaneceu entre 2006 e 2011. Depois, trabalhou nas categorias de base do Nantes, antes de se mudar para a Oceania.
Pelos Cagous, o treinador já disputou 17 partidas, com 11 vitórias, cinco derrotas e um empate. Além da boa campanha nas Eliminatórias, Sidanner também comandou a Nova Caledônia em seu primeiro jogo na Europa, que terminou com vitória por 2 a 0 para cima de Gibraltar, no ano passado.
Histórico na Copa
A Nova Caledônia nunca disputou uma Copa do Mundo. Inclusive, essa é apenas a sexta vez que o território disputa as Eliminatórias. Nas edições anteriores, teve o seu melhor desempenho em 2010 e 2014, quando terminou na segunda colocação, atrás apenas da Nova Zelândia. Na última edição, os Cagous não foram bem e perderam todas as suas partidas, terminando sem pontos, na última colocação do seu grupo.
Time-base
Rocky Nyikeine; Bernard Iwa, Didier Simane, Fonzy Ranchain e Joseph Athalé; Joris Kenon César Zeoula, Jekob Jeno e Angelo Fulgini; Georges Gope-Fenepej e Germain Haéwégéné.
O terriório
A Nova Caledônia é um território ultramarino que pertence à França. Recentemente, a região enfrentou uma série de protestos por conta de uma reforma constitucional em Paris, que ameaça diminuir a influência de povos nativos nas eleições. Na ocasião, o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a viajar para a Oceania para tentar controlar os conflitos.
Entretanto, o território passou por três referendos nos últimos anos, que decidiram pela permanência à França, o que deixa Macron como presidente. A Nova Caledônia possui uma área de 18.575 km² dividida em três províncias. Sua capital é Numeá e o território é um dos maiores produtores mundiais de níquel.
Celebridade
O principal nome do território está ligado ao futebol. Christian Karembeu nasceu e teve sua infância em Lifou, que fica localizada em uma ilha no nordeste da Nova Caledônia. Depois de jogar pelo modesto Gaicha na sua juventude, Karembeu recebeu uma bolsa de estudos na França, onde também poderia seguir com o futebol.
No continente europeu, o jogador seguiu sua carreira na base do Nantes, onde se profissionalizou em 1990. Depois dos Canários, ainda passou pela Sampdoria, até chegar no Real Madrid, onde conquistou a Champions League duas vezes. Já nas seleções, Karembeu defendeu a França, se consagrando campeão do mundo em 1998.
O que esperar da Nova Caledônia
Azarona na repescagem, os Cagous vivem a conquista só de terem conseguido realizar a melhor campanha de sua estreia. Entretanto, sonhar não custa nada e a Nova Caledônia tem todo o direito de tentar aprontar no México. Para conseguir realizar uma das maiores zebras das Eliminatórias, a seleção de Sidanner tem que aperfeiçoar o esquema defensivo que realizou contra a Nova Zelândia. Ou seja, podemos esperar uma equipe que se defenda muito e tente aparecer no ataque através dos contra-ataques.
Jamaica
Os Reggae Boyz chegam para a repescagem como a seleção que vem com o maior peso da desclassificação nas Eliminatórias. Afinal, com o aumento de vaga e a ausência dos países-sedes, a expectativa é que os jamaicanos, que ocupam o 70º lugar no ranking da Fifa, se sobressaíssem.
No ciclo, a Jamaica teve dois grandes momentos em 2023. O primeiro aconteceu na Copa Ouro, quando chegou até as semifinais, sendo eliminada para o México. No final daquele ano, na Liga das Nações, a seleção eliminou o Canadá, em Toronto, nas quartas de final, perdeu para os Estados Unidos na semifinal, mas ainda garantiu um terceiro lugar.
Nas Eliminatórias, a situação parecia bem encaminhada. Na primeira fase, os Reggae Boyz avançaram com 100% de aproveitamento, vencendo Guatemala, República Dominicana, Dominica e Ilhas Virgens Britânicas. Só que a situação começou a ficar alarmante na última Copa Ouro, quando a Jamaica não conseguiu avançar para a fase de grupos. Mesma situação da Copa América, realizada um ano antes.
Porém, após a goleada contra Bermuda, na segunda fase, a Jamaica estava na liderança da sua chave e dependia apenas de si para garantir a classificação. Entretanto, o empate contra Trinidad e Tobago fez com que a seleção caísse para a segunda colocação. Por outro lado, uma vitória, dentro de casa, contra Curaçao bastaria para a Jamaica voltar à Copa do Mundo. Mas a partida não foi como esperada e o empate sem gols colocou a equipe na repescagem.
O destaque
Atualmente, a Jamaica vive uma safra de bons jogadores que atuam nas ligas europeias. O nome que mais chama atenção é o de Leon Bailey. O meia de 28 anos vive uma relação contubarda com a federação do país. Inclusive, o jogador decidiu não disputar a Copa América de 2024 por reclamar da estrutura fornecida ao elenco.
Bailey se profissionalizou no Genk, da Bélgica, em 2013. Dois anos depois, se transferiu para o Bayer Leverkusen, onde disputou quatro temporadas, com 119 e 28 gols. Em 2021 acertou sua ida ao Aston Villa. Pelo clube inglês, o meia conseguiu um grande protagonismo e se estabeleceu com um dos melhores jogadores time.
No começo desta temporada, o clube inglês o emprestou para a Roma. Entretanto, logo no primeiro treino pela Loba, o jogador sofreu uma grave lesão, que lhe tirou da disputa da fase decisiva das Eliminatórias. Depois de ser pouco aproveitado, o clube italiano devolveu o meia ao Villa.
A expectativa é que Bailey consiga enfim valer a expectativa que lhe é esperada nos Reggae Boyz. Afinal, em 39 partidas pela seleção, o jogador marcou apenas sete vezes e não consegue repetir as boas atuações da Premier League. Inclusive, saiu como uma das grandes decepções da última edição da Copa Ouro.
O comandante
Apesar de ganhar mais uma chance de ir para a Copa, a desclassificação nas Eliminatórias causou mudanças na seleção. O inglês Steve McClaren foi demitido e o jamaicano Rudolph Speid assumiu o cargo.
O treinador de 64 anos havia feito toda a sua carreira pelo Cavalier, clube que comandou entre 2014 e 2025. Pela equipe de Kingston, Speid conquistou o campeonato jamaicano três vezes (2021, 2024 e 2025), além do título da Copa do Caribe em 2024. Agora, o técnico terá a grande missão da sua carreira ao tentar levar os Reggae Boyz para a Copa.
Histórico na Copa
A Jamaica já disputou a Copa do Mundo em uma oportunidade, em 1998. Na época, a seleção era comandada pelo brasileiro Renê Simões. Naquela ocasião, os Reggae Boyz superaram Costa Rica e El Salvador para garantir a classificação inédita. No mundial, caiu no Grupo H, com Argentina, Croácia e Japão. Depois das derrotas para croatas e argentinos, os jamaicanos bateram os Samurais Azuis por 2 a 1, conquistando sua primeira vitória em Copas.
Os Reggae Boyz disputam as Eliminatórias desde 1966. Entretanto, fora 98 e 2026, nunca conseguiram se aproximar de uma vaga na Copa. Em 2002, 2014 e 2022 a seleção até chegou na fase final da qualificatória, mas terminou longe das primeiras posições.
Time-base
Blake; Joel Latibeaudiere, Richard King, Ethan Pinnock e Amari'i Bell; Isaac Hayden, Kasey Palmer, Boby Reid, Demarai Gray e Leon Bailey; Renaldo Cephas.
O país
Com uma área de 10.991 km², a Jamaica é o quinto maior país insular situado no mar do Caribe e tem a terceira maior população de 2.734.000 de pessoas. Kingston é sua capital. A bauxita é a principal riqueza econômica do país.
Uma curiosidade é que a Jamaica tem uma monarquia constitucional, sendo governada pelo rei Carlos III. Atualmente, o governador-geral é Patrick Allen e Andrew Hollnes o primeiro-ministro.
Celebridades
No cenário de estrelas, o país se destaca com presenças na música e no esporte. Afinal, a Jamaica é o berço do Reggae Music e tem o grande nome do ritmo musical nascido em suas terras. Bob Marley nasceu em Nine Mile, em fevereiro de 1945, e teve uma carreira pautada pela paz e pelas denúncias às injustiças sociais, seguindo os valores da religião rastafári. O cantor faleceu em 1981, em Miami, e já vendeu mais de 75 milhões de discos, além de receber um prêmio Nobel da Paz.
Por outro, nos esportes, o país é muito conhecido pelo bom desempenho no atletismo. E é dessa modalidade que surgiu o homem mais rápido do mundo. Usain Bolt marcou a história com a conquista de cinco medalhas de ouro, sendo três nos 100m rasos e duas nos 200m. Até hoje, o ex-atleta detém o recorde da primeira prova, com 9″58″.
O que esperar da Jamaica
Depois da decepção na última fase das Eliminatórias e a troca de técnico, a expectativa é que os Reggae Boyz consigam corresponder. A seleção é muito favorita para o confronto contra a Nova Caledônia e precisa ganhar confiança para um possível duelo decisivo contra a República Democrática do Congo. Além disso, o duelo da semifinal pode servir de alicerce para os jogadores badalados conseguirem boas atuações pela Jamaica.
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