A crise no futebol italiano se agravou nesta segunda-feira, 27, com as renúncias de Paolo Maldini e de Leonardo aos cargos de diretor de seleções e consultor da Federação Italiana de Futebol (FIGC). A decisão foi tomada apenas 16 dias, pouco mais de duas semanas, após o acerto da dupla com a entidade.
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Ex-zagueiro do Milan e da Seleção da Itália e tetracampeão com a Seleção Brasileira em 1994, Maldini e Leonardo foram contratados para comandar a reestruturação do futebol italiano. Anunciados pela FIGC em 11 de junho, eles trabalharam juntos no clube de Milão entre 2018 e 2019.
E a dupla chegou à entidade em meio a crise pela não classificação às três últimas Copas do Mundo, de 2018, 2022 e 2026. Na última, a Itália ficou fora da disputa mesmo com a ampliação para 48 times.
Mas a primeira missão de Maldini e Leonardo na federação provocou, de cara, um desgaste na relação com o presidente Giovanni Malagò: a escolha do próximo treinador da Seleção da Itália, cargo vago desde abril passado com a saída de Gennaro Gattuso, depois do fracasso nas Eliminatórias da Copa.
Depois das recusas de Carlo Ancelotti, da Seleção Brasileira, e de Pep Guardiola, a aposta dos novos dirigentes era pela contratação de Andrea Pirlo para o cargo de treinador. O nome do Maestro, no entanto, teria sido vetado por Malagò.
Além de não ser considerado uma unanimidade como treinador, o nome de Pirlo ao comando da Azzurra sofreu resistência por ele ter vínculo publicitário com uma casa de apostas da Rússia.
A negociação frustrada pelo veto de Malagò levou Maldini e Leonardo a rescindirem com FIGC, sob o entendimento de que, caso não conseguissem encontrar um técnico, não eram as pessoas certas para o trabalho, conforme publicou o jornal italiano Gazzetta dello Sport.
A FIGC ainda não se manifestou sobre a saída de Maldini e Leonardo, mas a informação foi confirmada por Giancarlo Abete, presidente da Liga Nacional Amadora, após reunião com a federação.
"A reunião de hoje começou com negociações com Guardiola e, posteriormente, com a recomendação de Pirlo. Depois disso, surgiram os problemas que todos conhecem, atividades desconhecidas pela Federação quando tomou esse tipo de decisão. Em seguida, veio a rejeição de Maldini e Leonardo. Vamos chamar de renúncias, mas acho que ainda não foram formalizadas. Recebemos a notícia quando estávamos saindo da sala do presidente. Até 45 minutos atrás, estávamos pensando nas alternativas propostas pelo diretor técnico e pelo assessor. Agora precisamos recomeçar com um projeto sério", disse.
A expectativa é por novas reuniões da federação e de que anúncios sobre a saída de Maldini e Leonardo sejam feitos na próxima terça-feira, 28, ainda sem a definição de um nome para comandar a Seleção da Itália.