O australiano Graham Arnold, técnico da seleção do Iraque, teve uma missão a mais ao preparar sua equipe para o duelo desta terça-feira, em Monterrey, no México, diante da Bolívia, em uma partida válida pela repescagem e que garante uma vaga para a Copa do Mundo. Além da parte física, técnica e tática, o treinador tratou de blindar seu elenco das notícias da guerra do Oriente Médio.
O treinamento iraquiano para o jogo com a Bolívia foi bastante prejudicado por causa da guerra, que envolve Israel e Estados Unidos contra o Irã, mas reflete em toda a região do Oriente Médio.
Em entrevista coletiva, o técnico afirmou que parte da viagem desde Bagdá foi feita de carro no território da Jordânia. "Representar 46 milhões de pessoas é uma experiência única."
O vencedor entre Iraque e Bolívia vai se juntar à França, Senegal e Noruega no Grupo I da Copa do Mundo, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá de 11 de junho a 19 de julho.
"Há tanta coisa acontecendo no Oriente Médio; se eles pensarem muito nisso, vai afetá-los psicologicamente", afirmou Arnold. "Eles sabem o que precisam fazer pelo país. Estes últimos 20 dias foram muito difíceis para eles, mas agora estão calmos."
O treinador destacou a importância de uma vaga na Copa no dia a dia do povo iraquiano. "Pode mudar um país e a percepção que as pessoas têm dele. No Iraque existe uma obsessão pelo futebol, é o esporte nacional."
O Iraque disputou a Copa do Mundo de 1986 no México, quando foi eliminado na fase de grupos após perder todas as três partidas.