O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou nesta quarta-feira (10) uma revisão das políticas migratórias adotadas pelos Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026. A declaração foi feita em Genebra, na Suíça, após uma série de episódios envolvendo atletas, árbitros e integrantes de delegações que enfrentaram dificuldades para entrar no país, uma das sedes do torneio.
A manifestação ocorreu na véspera da abertura do Mundial e ampliou o debate sobre os impactos das regras de imigração norte-americanas na competição. Durante entrevista coletiva, Türk afirmou que espera uma reavaliação das medidas atualmente adotadas.
"Espero realmente que haja uma revisão profunda da forma como a aplicação das políticas migratórias afeta os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente no contexto da Copa do Mundo, sejam repensadas as políticas que, infelizmente, parecem prevalecer atualmente, em particular nos Estados Unidos", declarou o representante da ONU.
Um dos casos mais repercutidos envolve o árbitro somali Omar Artan. Escalado para atuar no torneio, ele foi barrado pela imigração ao desembarcar em Miami e acabou deportado. Segundo autoridades norte-americanas, a decisão foi tomada por questões de segurança nacional. Com isso, o árbitro foi retirado da lista de profissionais da Copa do Mundo.
Após o episódio, Artan lamentou a situação em entrevista ao jornal The New York Times e afirmou que "o maior sonho da minha vida" havia sido destruído.
Outros profissionais também enfrentaram dificuldades. O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por várias horas durante procedimentos de imigração antes de ser liberado. Já o fotógrafo oficial da seleção do Iraque, Talal Salah, teve a entrada negada e foi deportado. O atacante suíço Breel Embolo também enfrentou obstáculos para obter autorização de entrada, mas conseguiu a liberação após negociações diplomáticas.
A delegação do Irã foi outra afetada pelas restrições. Embora jogadores e membros da comissão técnica tenham recebido autorização para participar da competição, alguns dirigentes tiveram os vistos negados pelas autoridades dos Estados Unidos.
Questionada sobre os casos, a Fifa afirmou que não interfere em decisões migratórias dos países anfitriões. Em nota enviada à agência AFP, a entidade declarou que "não intervém nos procedimentos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos".
A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11) e será disputada em Estados Unidos, México e Canadá, marcando a primeira edição da história com 48 seleções participantes