Mirassol vive ápice com estreia na Libertadores em meio à crise no começo de temporada

Lanús é o primeiro adversário da equipe do interior paulista, que ainda enfrentará LDU e Always Ready

8 abr 2026 - 05h42
(atualizado às 07h27)
Lanús bateu o Flamengo pelo título da Recopa Sul-Americana.
Lanús bateu o Flamengo pelo título da Recopa Sul-Americana.
Foto: Lanús via X / Estadão

Às 19h (de Brasília) desta quarta-feira, 8, a bola vai rolar em Mirassol pela primeira vez por uma competição internacional. O Mirassol estreia na Libertadores diante do Lanús, campeão da Sul-Americana e da Recopa. As equipes estão no Grupo G, que ainda conta com Always Ready e LDU.

A participação inédita na Libertadores é fruto de um 2025 de ouro do Mirassol, que foi o quarto colocado no Brasileirão, na primeira vez em que jogava a Série A. O time, contudo, vive cenário adverso em relação a quando foi sensação do Brasil.

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O primeiro jogo na Libertadores ser no Maião, o Estádio José Maria de Campos Maia, é um fator que já foi mais animador. A equipe se consolidou, em 2025, como um dos melhores visitantes do Brasil. Foram 22 jogos sem perder em casa.

Entretanto, isso ruiu em 2026. Nos últimos dois jogos em casa, foram duas derrotas, ambas por 1 a 0, para Coritiba e Red Bull Bragantino. Em campo, o time perdeu peças importantes: Danielzinho e Lucas Ramon foram para o São Paulo; Gabriel, ao Sporting Cristal, do Peru.

Artilheiro no ano mágico, o lateral Reinaldo não consegue repetir o desempenho neste ano. O principal reforço, Tiquinho Soares, ainda não marcou em cinco jogos.

A manutenção do técnico Rafael Guanaes e de Paulinho como executivo é o voto de confiança da diretoria de que é possível uma recuperação na temporada.

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"É rodada de Libertadores, é só Libertadores. É uma competição diferente, é um privilégio a gente estar aqui. Só positividade, privilégio, jogar futebol, jogar com coragem, correr risco, botar a bola no chão. A gente não é definido pelos nossos momentos. A gente tem uma identidade muito bem formada. Vejo a nossa equipe muito competitiva. Independentemente do momento", avalia Guanaes.

Nem mesmo a sorte deu conta de ajudar o clube. O Grupo G da Libertadores conta com Lanús, que bateu o Flamengo para levantar o troféu da Recopa, e duas equipes que têm a altitude como fator favorável. A LDU joga em Quito a 2.850 metros acima do mar. O Always Ready, em El Alto, a quase 4 mil metros.

"Um time tradicional (o Lanús) com a sua característica de jogo muito bem definida. Um time muito competitivo, muito engajado com as ideias de jogo, com aquilo que eles querem fazer. Muito comprometido sem a bola, de ataques muito rápidos, já se conhece há um bom tempo. Então, a gente sabe que é um jogo muito especial para nós, e um adversário desse nível valoriza realmente a nossa estreia na competição", diz o treinador.

O clube argentino vê na Libertadores a chance de consolidar o trabalho de Maurício Pellegrino. Competitivo, o Lanús faz um bom Apertura na Argentina, mas é embalado principalmente pela vitória sobre o Flamengo na Recopa.

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Entretanto, a equipe perdeu o atacante Rodrigo Castillo, que migrou para o Fluminense. Ele foi o nome do título da Recopa, com dois gols nos dois jogos.

Para o seu lugar, chegou o colombiano Yoshan Valois (ex-Deportivo Pasto). Ainda antes, a diretoria do Lanús contratou o meia Matías Sepúlveda, que era da Universidad de Chile. Ele é referência técnica da equipe de Pellegrino.

Interior paulista vive mudanças pela Libertadores

Fora das quatro linhas, a participação na Libertadores já provoca impactos relevantes próximo de Mirassol. Foi feita a internacionalização temporária do Aeroporto de São José do Rio Preto, a cerca de 15 km dali. Essa é uma exigência da Conmebol para sedes que recebem jogos do torneio.

A chegada do Lanús foi o primeiro voo internacional do aeroporto. A internacionalização provisória tem previsão de terminar quando o Mirassol terminar a disputa da Libertadores. O posto de imigração montado tinha apenas uma mesa e um notebook para registrar a entrada da delegação do Lanús. Pouco depois, chegou ali a banda Guns N' Roses, que fez um show em São José do Rio Preto na terça-feira.

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O Mirassol se junta a um grupo seleto de clubes do interior paulista que já disputaram a Libertadores: Guarani, Paulista, Santo André, Red Bull Bragantino e São Caetano.

"É um momento extremamente adverso. Momento em que só realmente quem tem comprometimento, quem tem sonho, fome, consegue superar. Aqui no Mirassol trabalhamos nessa direção sempre. É uma oportunidade raríssima na nossa vida, foi algo conquistado com muito empenho, muito esforço, muitas mãos e pés, muitas mentes trabalhando para que pudéssemos fazer algo extraordinário", afirmou Rafael Guanaes.

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