Poucos brasileiros chegaram ao futebol europeu com tanta expectativa quanto Gabriel Veron. Revelado pelo Palmeiras, o atacante foi contratado pelo Porto, em 2022, por cerca de 10 milhões de euros, cercado pela expectativa de se tornar uma das principais promessas do clube.
Três anos depois, o cenário mudou. Fora da pré-temporada, Gabriel Veron, de 23 anos, não faz parte dos planos do Porto, que busca um novo destino para o atacante, contratado até junho de 2027, fora dos planos do técnico Francesco Farioli.
Talento nunca faltou, regularidade sim
A carreira de Gabriel Veron tem sido marcada por um contraste evidente entre o potencial demonstrado na juventude e aquilo que efetivamente conseguiu produzir no futebol profissional. Desde a chegada a Portugal, o brasileiro nunca conseguiu afirmar-se de forma consistente.
Lesões musculares sucessivas, problemas físicos e dificuldades para manter sequência competitiva impediram que conquistasse espaço tanto no Porto como nos clubes que o receberam por empréstimo nos últimos anos.
Na temporada passada, por exemplo, voltou a ser emprestado, desta vez ao Nacional da Madeira. A oportunidade parecia ideal para recuperar confiança e minutos, mas acabou por não produzir o impacto esperado.
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Números ajudam a explicar a falta de continuidade
Pelo Nacional da Madeira, na temporada de 2025/2026, Gabriel Veron disputou apenas 13 partidas, foi titular em 11 delas, somou 831 minutos em campo e marcou somente um gol. Os indicadores individuais também mostram uma quebra relativamente ao jogador explosivo que apareceu no Palmeiras.
O brasileiro terminou a temporada com média de 11,5 passes certos por jogo, 77% de aproveitamento nos passes, 8,2 passes certos no terço final e apenas 0,3 dribles certos por partida, com uma eficácia de apenas 29%.
Os números também ficaram abaixo do esperado: venceu 42% dos duelos pelo chão, 37% das disputas aéreas e perdeu a posse, em média, 8,2 vezes por jogo. O desempenho contribuiu para que perdesse espaço e deixasse de fazer parte dos planos do Porto.
Valor de mercado caiu drasticamente
A queda de rendimento também refletiu no valor de mercado. Quando deixou o Palmeiras rumo ao Porto, Gabriel Veron era avaliado em 12 milhões de euros. Hoje, a cotação gira em torno de 2,5 milhões de euros, reflexo das últimas temporadas.
Apesar de continuar a ter apenas 23 anos, o centroavante entra numa fase decisiva da carreira, na qual precisará voltar a jogar com regularidade para recuperar o estatuto que teve quando iniciou sua trajetória no futebol.
Portugal ainda é possível, mas outros mercados ganham força
Segundo apurou a Agência RTI Esporte, o Porto trabalha para encontrar uma solução definitiva para Gabriel Veron durante esta janela de transferências. A permanência na Primeira Liga Portuguesa ainda é uma possibilidade, embora considerada bastante reduzida neste momento.
Mercados como Turquia, Polónia, Chipre e Escócia surgem como destinos mais prováveis, uma vez que poderão oferecer maior espaço competitivo para um jogador que procura relançar a carreira. O retorno ao futebol brasileiro também continua em cima da mesa.
No entanto, o rendimento apresentado nas últimas temporadas faz com que o número de clubes dispostos a apostar no atacante seja hoje bastante inferior ao de outros tempos. Portanto, o futuro dele continua indefinido.
Hora de mudar o rumo da carreira
Gabriel Veron continua a possuir qualidades técnicas reconhecidas. A velocidade, a capacidade para atuar pelos dois lados do ataque e o talento no um contra um continuam presentes. Porém, o futebol de alto nível exige consistência, algo que ele ainda não conseguiu encontrar desde que deixou o Palmeiras.
Aos 23 anos, ainda existe margem para inverter a trajetória. Contudo, a próxima escolha poderá ser determinante. Depois de vários empréstimos e de uma sequência de temporadas aquém das expectativas, Gabriel Veron precisa voltar a sentir-se protagonista.
Caso contrário, uma das maiores promessas do futebol brasileiro na última década corre o risco de ver esse rótulo transformar-se apenas numa lembrança de um potencial que nunca chegou a ser plenamente confirmado.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal