Uma das maiores polêmicas da história da Copa do Mundo, o gol conhecido como "La Mano de Diós" de Maradona garantiu uma aposentadoria bastante confortável para o árbitro Ali Bennaceur (ou Ali Ben Nasser, na versão árabe), que comandou o jogo de quartas de final contra a Inglaterra, 1986. Afinal, o tunisiano ganhou uma fortuna, há quatro anos, após o leilão de uma das bolas usadas em campo.
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A informação é de que o item foi arrematado por aproximadamente 2 milhões de libras (cerca R$ 12.5 milhões na cotação da época) pelo Graham Budd Auctions. Recluso em sua casa em Túnis, capital de seu país, Bennaceur tem 81 anos e trabalhou na formação de novos árbitros em seu país após largar o apito.
Durante muito tempo, foi comum também cobrar pelas entrevistas especiais que concedeu ao longo das décadas. Em uma delas, revelou à BBC que tinha "muito orgulho" da repercussão que o gol (o primeiro da vitória por 2 a 1) e a partida tomaram e por ter ajudado a escrever a história de Maradona. Inclusive, por sua decisão sobre o outro gol, em que o camisa 10 dribla metade do time rival antes de tocar para as redes.
"Tentaram derrubá-lo três vezes, e eu gritei 'vantagem'. Se eu tivesse apitado para marcar a falta, aquele gol nunca teria existido", relembrou.
Carinho e visita de Maradona
Em 2015, Maradona foi a Tunísia para reencontrar Bennaceur e lhe presenteou com uma camisa autografada. Ele escreveu "para Ali, meu eterno amigo". À época, o ídolo argentino postou no Facebook que, em retribuição, ganhou uma foto do jogo que o ex-árbitro guardava (veja acima).
Cinco anos depois, Maradona faleceu, aos 60, deixando milhões de fãs desolados. A Copa de 1986 foi a única que conquistou com sua seleção. Depois da Inglaterra, a Argentina ainda derrotou a Bélgica e a Alemanha Ocidental para garantir o título.
"Eu falei para ele (Maradona): 'não foi a Argentina que ganhou o Mundial, foi Maradona'".
Polêmica com o bandeirinha
Ao longo dos anos, Ali Bennaceur manteve a versão de que estava encoberto e não pôde ver o toque de mão de Maradona, que se antecipou ao goleiro Peter Shilton no alto. Então, sempre culpou o árbitro auxiliar que teria uma visão melhor do lance.
"A Fifa nos deu instruções claras: se um colega está em posição melhor do que a minha, eu devo respeitar sua visão", alegou o árbitro.
Auxiliar do jogo, o búlgaro Bogdan Dochev, por sua vez, se defende com uma regra da época da Fifa que o proibiria de interferir diretamente em lance não-marcado.
Ainda assim, o tunisiano conta que desejou que a Inglaterra marcasse o segundo gol, porque "queria desfrutar daquela partida por 30 minutos a mais (com a prorrogação). Foi uma alegria absoluta do início ao fim".
Há exatos 40 anos, o futebol via um dos lances mais polêmicos da história.
A "La Mano de Dios" de Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no Azteca.
Um dos gols mais famosos de todos os tempos. pic.twitter.com/Wpp2dea1gk
— Futmais | Menino Fut (@futtmais) June 22, 2026
Ingleses cobram retratação
Do lado inglês, a revolta com o erro percorreu décadas. Federação e jogadores envolvidos exigiram um pedido de desculpas do árbitro, o que nunca ocorreu. Autor do único gol do English Team, Gary Lineker debochou quando soube que Ali Bennaceur havia guardado a bola do jogo.
Entretanto, para Maradona o episódio sempre foi visto com orgulho por conta da rivalidade envolvendo as Ilhas Malvinas, que os ingleses tomaram posse, quatro anos antes. Em visita ao Estádio Azteca, no México, onde o duelo aconteceu, o craque reviveu o lance.
"Quando eu olho para o árbitro, ele olha para o bandeirinha, para ver a reação dele. E o que o bandeirinha faz: 'é gol'! Quando ele fez isso, meu pai estava lá, eu me lembro. Lá em cima (aponta). E eu olhei para o meu pai e disse: 'Roubei a carteira deles, roubei a carteira deles'".
Nesta quarta-feira, Inglaterra e Argentina se enfrentam pelas semifinais da Copa de 2026, quarenta anos após a polêmica. A bola rola às 16h, em Atlanta. Quem passar, terá a Espanha pela frente na decisão.
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