A Copa do Mundo produziu ao longo de suas 22 edições alguns artilheiros improváveis. Em 1998, na França, a seleção da Croácia surpreendeu o mundo da bola ao chegar às semifinais. O maior responsável pela façanha foi Davor Suker, autor de seis gols e jogador mais velho a levar para casa a Chuteira de Ouro da Fifa, aos 30 anos. Agora, um certo Lionel Messi, de 39, está muito perto de quebrar essa marca. A final contra a Espanha, às 16h deste domingo, é que vai definir.
O craque da Argentina tem oito gols e está empatado com Kylian Mbappé. O francês entra em campo pela disputa do terceiro lugar no sábado, diante da Inglaterra. Portanto, já deixará escrito o que Messi precisará fazer para assegurar o prêmio. Mbappé, aliás, tirou a artilharia do então companheiro de PSG em 2022 ao marcar três gols na final contra a própria Argentina. A briga no Catar terminou oito a sete para o europeu.
Suker, um atacante de respeito
Até que sopre o último apito deste Mundial, no entanto, Suker ainda detém o recorde. E o que mais impressiona é que, naquele Mundial, deixou para trás feras como Ronaldo, Batistuta, Bergkamp e Shearer. Apesar de não ter a grife de um craque, o atacante construiu uma carreira de respeito. Muita gente pode não se lembrar, mas ele empilhou gols pelo poderoso Real Madrid na temporada 96/97.
Problemas físicos e a concorrência de Mihatovic, que foi o herói do título da Liga dos Campeões de 97/98, colocaram o croata no banco por alguns meses posteriormente. Afinal, o comandante do ataque era Raúl González, titular da seleção espanhola, ídolo e intocável no Real.
Inclusive, Suker entrou no segundo tempo da vitória sobre o Vasco, no Mundial Interclubes de dezembro de 98. Na época, o time tinha dois brasileiros no elenco: Roberto Carlos e Sávio. No total, foram 49 bolas na rede em 109 partidas em Madrid.
Mais tarde, a fera passou pelo Arsenal, ainda com algum sucesso em campo. Só que uma decisão fora das quatro linhas colocou em xeque a sua reputação com os torcedores e dirigentes dos Gunners. A imprensa descobriu que o atacante apostou dinheiro no Manchester United na Bolsa de Valores para ganhar o título inglês.
"Não entendo nada de finanças, mas de futebol, eu entendo muito", justificou Suker.
Depois, seguiu para o West Ham e Munique 1860 até encerrar a carreira. Antes do estrelato, o clube onde realmente brilhou foi o Sevilla e fincou raízes, entre 1991 e 1996, anotando mais de 90 gols. Sempre que volta à cidade, Suker recebe o carinho e do clube, do qual é sócio honorário.
Copas por países diferentes
Apesar de a Croácia ter sido estreante em 1998, estar em uma Copa do Mundo não era novidade para o atacante. Com 22 anos, ele foi convocado para defender a Iugoslávia, em 1990, antes da dissolução da nação em vários outros territórios. Mas não saiu do banco de reservas.
Aos 58, Suker, hoje, se dedica a suas escolinhas de formação de garotos para o futebol, na capital Zagreb. Em 2018, porém, exercia o cargo de presidente da federação croata quando a seleção fez a final do Mundial contra a França. Assim, colheu os louros de seu trabalho e passou a ser ainda mais respeitado.
A geração de Rakitic, Modric e companhia foi ainda mais longe do que a do artilheiro, que contava com outros nomes de peso, como o zagueiro Igor Tudor, os meias Prosinecki e Boban e o atacante Vlaovic - todos com sucesso nas principais ligas europeias. Mas o legado de Suker nunca será esquecido.
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Outros artilheiros "improváveis"
Além de Suker, a Copa produziu outros artilheiros que não estavam cotados. Casos do italiano "Toto" Schillaci, em 1990, que era reserva da seleção; no Mundial seguinte, Oleg Salenko, da Rússia, que fez cinco gols em um só jogo; e até do colombiano James Rodríguez, meia de 22 anos que levou a Chuteira de Ouro em 2014.
James, por sinal, teve vida longa na seleção e se despediu das Copas em 2026, quando foi titular do time de Nestor Lorenzo. A Colômbia parou nas oitavas de final, após cair nos pênaltis para a Suíça. Se avançasse, teria enfrentado a Argentina.
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