A Fifa estuda uma mudança que pode transformar a forma como administra suas principais competições. De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Times, nesta terça-feira (28), o presidente Gianni Infantino lidera um projeto para criar uma nova empresa responsável pela gestão da Copa do Mundo masculina, da Copa do Mundo feminina e do Mundial de Clubes. A iniciativa abriria espaço para a entrada de investidores privados e poderia movimentar bilhões de euros.
Pela proposta, a Fifa manteria o controle da nova companhia com uma participação majoritária, enquanto investidores comprariam entre 20% e 30% do negócio por vários bilhões de euros. As 211 federações filiadas também passariam a ter participação acionária, dividindo cerca de 20% da empresa. Cada associação receberia uma fatia avaliada em aproximadamente 17,5 milhões de euros (R$ 102,4 milhões), com a possibilidade de manter ou vender essas ações para gerar receita.
Ainda de acordo com a publicação, pessoas ligadas ao governo de Donald Trump foram consultadas durante as discussões. Entre os possíveis investidores aparecem Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, e o banco JP Morgan. As negociações estariam sendo conduzidas sob acordos de confidencialidade entre dirigentes da Fifa e representantes do mercado financeiro.
Ideia não é bem recebida
O projeto, porém, desperta preocupação no futebol. Críticos acreditam que a presença de investidores privados pode aumentar a pressão para expandir ainda mais os torneios ou até reduzir o intervalo de quatro anos entre as edições da Copa do Mundo. Também existe o receio de que decisões passem a priorizar interesses comerciais, escolhendo sedes mais lucrativas e ampliando o calendário internacional.
A possibilidade de novas mudanças na Copa do Mundo já vem sendo debatida. Depois da ampliação de 32 para 48 seleções a partir da edição de 2026, Infantino afirmou recentemente que a proposta sul-americana para aumentar o torneio para 64 equipes será analisada pela entidade.
Esta não é a primeira vez que a Fifa tenta atrair investidores. Em 2018, a entidade discutiu um acordo de 22 bilhões de euros (R$ 128,7 bilhões) com o SoftBank, em parceria com o fundo soberano da Arábia Saudita, para financiar um novo formato do Mundial de Clubes e uma Liga das Nações global. O projeto, no entanto, não recebeu apoio suficiente para sair do papel.
Atual presidente da Fifa teria cargo no futuro
Caso a nova empresa seja criada, o plano também prevê um futuro papel para Infantino. Após o fim de seu mandato na presidência da Fifa, previsto para 2031, ele poderia assumir a liderança da companhia como presidente executivo ou comissário. Embora ainda não exista definição sobre remuneração, fontes ouvidas pelo The Times afirmam que o salário poderia ser semelhante ao recebido pelo comissário da NFL, atualmente na casa dos 56 milhões de euros (R$ 327,6 milhões) por ano.
A proposta divide opiniões. Dirigentes ouvidos pelo jornal britânico classificaram a ideia como uma ameaça ao futebol mundial. Além disso, alertaram para possíveis conflitos de interesse entre a Fifa, seus dirigentes e a nova empresa. Outro temor é que a Fifa leve as competições para mercados considerados mais rentáveis. Como, por exemplo, países do Golfo, mesmo que isso obrigue mudanças no calendário do futebol internacional.
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